Política
Michel Temer confirma contrato com Banco Master para consultoria antes de liquidação
Ex-presidente atuou como consultor do Banco Master antes da intervenção do Banco Central e detalha bastidores do caso.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) confirmou nesta sexta-feira, 10, que foi contratado pelo Banco Master para prestar serviços de consultoria e mediação antes de o banco ser liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado. Em entrevista à CNN Brasil, Temer afirmou ter recebido honorários pelo trabalho e informou que o contrato foi encerrado sem resultados concretos. Ele também destacou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com eventuais vínculos ao caso deverão se declarar impedidos de julgá-lo.
"Há no sistema normativo impedimentos para que eventuais ministros ou juízes ligados a familiares possam decidir certas matérias. Tenho absoluta convicção de que os ministros que têm advogados envolvidos nessa questão declararão impedimento", afirmou.
Temer confirmou ainda ter participado de uma reunião em Brasília com Daniel Vorcaro, controlador do Master, o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O ex-presidente disse não poder detalhar o conteúdo do encontro devido à confidencialidade profissional. "Há uma certa confidencialidade nessas matérias. Isso é uma coisa ética, fundamental para o advogado", explicou.
Sobre os contratos do Master com escritórios de advocacia, Temer afirmou que cabe a cada um definir seus "critérios de cobrança". Conforme publicado pelo G1 e confirmado pelo Estadão, um escritório recebeu R$ 80,2 milhões do banco em um período de 22 meses. O ex-presidente defendeu especificamente os serviços prestados pelo escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, destacando que a assessoria era "global" e não apenas jurídica.
O ministro Dias Toffoli já se declarou impedido de participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro, em 11 de março. Antes, em 12 de fevereiro, Toffoli deixou a condução das investigações do caso após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que mencionava seu nome em dados extraídos do celular de Vorcaro.
Temer disse não saber o que Vorcaro poderá revelar em eventual acordo de colaboração, mas avaliou que o empresário "tinha uma influência muito acentuada" e "os mais variados contatos". Sobre o impacto político do caso, o ex-presidente afirmou que os efeitos mais severos devem surgir a partir de julho, com o início das convenções partidárias. "Não está sendo bom para as campanhas políticas e para o quadro institucional geral no País", avaliou.
Por fim, Temer negou ter orientado Alexandre de Moraes, ministro que indicou ao STF em 2017, sobre o caso Master. "Jamais me atrevi a dar uma orientação a ele. Eu conheço bem o Alexandre e sei que ele decide por conta própria", concluiu.
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
3DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
4TÊNIS DE MESA
Hugo Calderano domina Alexis Lebrun e avança às semifinais da Copa do Mundo
-
5GEOPOLÍTICA
Chegada de navio petroleiro russo a Cuba é considerada vitória política e simbólica