Política
Cacique denuncia "terra na gaveta" e cobra Governo Lula por homologação de terras em Palmeira dos Índios; veja vídeo
Cicinho Xukuru Kariri leva indignação a Brasília e afirma que território indígena em Alagoas foi retirado da pauta, apesar de estar entre prioridades ainda na transição de Lula
Brasília foi palco, mais uma vez, da voz firme dos povos originários do Brasil. Durante o Acampamento Terra Livre, maior mobilização indígena do país, o cacique Cicinho Xukuru Kariri levou ao centro do debate nacional uma cobrança direta ao governo federal: a demarcação do território indígena em Palmeira dos Índios, que, segundo ele, segue paralisada, apesar de promessas feitas ainda no período de transição do atual governo.
Em um discurso marcado por indignação e apelo político, o líder indígena destacou que a terra Xukuru Kariri estava entre as 14 áreas consideradas prioritárias para homologação. No entanto, passados mais de dois anos de gestão, o processo permanece sem solução concreta.
“Venho aqui manifestar a minha indignação pelo que está acontecendo com a demarcação do nosso território. Essa terra estava na pauta do governo de transição e, hoje, foi tirada, colocada debaixo do tapete”, afirmou o cacique diante de lideranças indígenas de todo o Brasil e da América Latina.
Segundo Cicinho, o processo chegou a tramitar na Casa Civil, mas acabou retornando ao Ministério da Justiça, sem avanço efetivo. Ele sustenta que não há impedimentos técnicos ou jurídicos para a homologação, apontando que entraves políticos estariam por trás da paralisação.
“O que nós sabemos é que não existe nada que impeça a homologação. O que existe é pressão política dentro do estado de Alagoas”, declarou.
O cacique também fez críticas a entidades indígenas e organizações que participaram do governo de transição, cobrando maior atuação na defesa dos compromissos assumidos à época. Para ele, a ausência de mobilização institucional contribuiu para que o tema perdesse prioridade dentro do governo federal.
A fala ocorreu no contexto do Acampamento Terra Livre, considerado um espaço democrático de articulação dos povos indígenas, onde lideranças de diferentes regiões apresentam reivindicações históricas relacionadas à terra, cultura, saúde e autonomia.
Ao final do discurso, Cicinho Xukuru Kariri ampliou o apelo, conclamando o movimento indígena nacional, a sociedade civil e as organizações envolvidas a retomarem a pressão pela demarcação.
“Deixo esse apelo ao movimento indígena nacional e a toda a sociedade. Nosso território ficou para trás. Está esquecido”, disse.
A situação exposta pelo cacique reacende um debate sensível e recorrente no país: o ritmo das demarcações de terras indígenas e o cumprimento de compromissos assumidos pelo governo federal. No caso específico de Palmeira dos Índios, a reivindicação se arrasta há anos e permanece como uma das principais demandas sociais da comunidade indígena local.
Enquanto isso, em Brasília, as vozes que ecoam no Acampamento Terra Livre seguem lembrando que, para os povos originários, a terra não é apenas território — é identidade, sobrevivência e direito constitucional ainda à espera de efetivação.
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