Política
Meio/Ideia: mais da metade dos eleitores pode trocar de candidato nas eleições de 2026
Levantamento mostra aumento da volatilidade do voto, especialmente entre eleitores da direita; Lula lidera cenário estimulado.
Uma pesquisa realizada em abril pelo Meio/Ideia revela um cenário de alta volatilidade entre os eleitores para as eleições presidenciais de 2026. Segundo o levantamento, 51,4% dos entrevistados afirmam que podem mudar de candidato até outubro, um aumento significativo em relação a janeiro, quando apenas 35,5% admitiam essa possibilidade.
O fenômeno é mais intenso entre os eleitores de direita, onde há maior número de pré-candidatos. Entre os que apoiam Flávio Bolsonaro (PL), 60,4% dizem considerar a troca, índice que chega a 69,4% entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD). No campo petista, a taxa cai para 26,6%.
A tendência de instabilidade cresceu ao longo dos meses: 38% em fevereiro e 42,5% em março. Em abril, pela primeira vez, o número de indecisos superou o de eleitores decididos, que passou de 64,5% em janeiro para 48,6%.
Divulgada após o fim da janela partidária, a pesquisa aponta Lula na liderança do cenário estimulado, com 40,4%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 37%. Ronaldo Caiado aparece em terceiro, com 6,5%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) empatam com 3% cada.
No segundo turno, o confronto mais equilibrado é entre Lula e Flávio Bolsonaro: 45,5% a 45,8%, diferença de apenas 0,3 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2,5 pontos. Contra Caiado, Lula registra 45%, ante 39% do governador de Goiás.
A fragmentação da direita também se reflete na intenção de voto espontânea. Jair Bolsonaro, inelegível, ainda soma 6%, indicando que parte do eleitorado bolsonarista não migrou para o filho. Tarcísio de Freitas aparece com 2,3%, sem candidatura confirmada.
“De janeiro para cá, o brasileiro começou a ficar mais inseguro com o voto. E é na direita que os eleitores estão particularmente voláteis”, analisa Pedro Doria, diretor de jornalismo do Meio.
O cenário de incerteza tem como pano de fundo questões econômicas e sociais. Sete em cada dez brasileiros (70,4%) relatam aumento do custo de vida no último ano, 40% estão mais endividados e 74,7% consideram o tema decisivo ou importante na escolha do voto. A avaliação do governo Lula reflete esse descontentamento: 46,4% classificam a gestão como ruim ou péssima, índice que sobe para 53,9% no quesito segurança pública.
A pesquisa também avaliou a percepção sobre as instituições. Para 42,5% dos entrevistados, a maior ameaça à democracia é a concentração de poder no Judiciário, superando corrupção de políticos (16,5%), polarização (13%) e desinformação (9,7%). Sobre a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, 41% rejeitam qualquer forma de perdão. Entre os favoráveis (53%), 32% defendem anistia ampla, incluindo Jair Bolsonaro e militares, enquanto 21% aceitam anistiar apenas manifestantes condenados, excluindo líderes.
O levantamento foi realizado entre 3 e 7 de abril, com 1.500 entrevistados em todo o país. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00605/2026-BRASIL, com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
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