Política

Comissão aprova criação do programa Farmácia Popular Digital

25/03/2026
Comissão aprova criação do programa Farmácia Popular Digital
Duarte Jr.: maior responsabilidade das empresas contratadas pelo poder público - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria o Programa Farmácia Popular Digital. O objetivo é modernizar a distribuição de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), integrando o programa ao aplicativo "Meu SUS Digital" e permitindo a entrega domiciliar de remédios, com prioridade para pessoas idosas e pessoas com deficiência.

Pela proposta, terão acesso ao novo formato digital todos os usuários do SUS que possuam uma prescrição válida para medicamentos que fazem parte da Farmácia Popular.

O texto aprovado foi o substitutivo aprovado anteriormente pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa para o Projeto de Lei 3977/25, do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ). A nova versão ajusta pontos técnicos para garantir que a prioridade de atendimento e entrega seja respeitada, conforme o Estatuto da Pessoa Idosa ( Lei 10.741/03 ).

O relator da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência foi o deputado Duarte Jr. “O fortalecimento da infraestrutura tecnológica já existente permite reduzir burocracias, evitar fraudes, diminuir mudanças indiretas e filas presenciais, além de ampliar a transparência e a capacidade de auditoria do programa”, atualmente ele.

Retirada presencial
Além da entrega em casa, a retirada presencial também foi flexibilizada. O medicamento poderá ser retirado na farmácia:

  • pelo que paciente;
  • por seu representante legal; ou
  • por um cuidador, desde que apresenta uma procuração para essa finalidade.

No caso de retirada em unidades de saúde do SUS, será aceita a declaração de um cuidador (sem necessidade de procura complexa) por um prazo de 60 dias, caso o paciente tenha mobilidade reduzida ou condição que o impeça de se deslocar.

Funcionamento
Pela proposta, o paciente não precisará mais levar uma receita de papel até uma farmácia. O processo será digitalizado nas seguintes opções:

  • prescrição: o médico fará a receita eletrônica, que terá registro na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS);
  • solicitação: o paciente acessará o aplicativo “Gov.br/Meu SUS Digital”, que gerará um código (token ou QR Code) de autorização;
  • retirada ou entrega: com o código, o beneficiário poderá retirar o remédio na farmácia credenciada ou solicitar a entrega em casa.

Na avaliação de Duarte Jr., a digitalização planejada contribuirá para “a qualificação das informações em saúde, favorecendo o monitoramento epidemiológico e a melhor gestão dos recursos públicos”.

Prioridades
O projeto estabelece que a entrega domiciliar terá prioridade para pessoas idosas e pessoas com deficiência, especialmente aquelas que moram em locais de difícil acesso ou que tenham mobilidade reduzida.

Segundo o texto, a União cobrirá os custos de entrega para os medicamentos que já são gratuitos na Farmácia Popular (como os de hipertensão, diabetes e asma) destinados a esse público prioritário. Para outros casos, poderá haver cobrança de taxa de entrega ou coparticipação.

Segurança e fiscalização
Para evitar fraudes, as farmácias credenciadas deverão validar o código digital na hora da venda e manter a prova eletrônica da entrega. O sistema permitirá rastrear todo o caminho do medicamento, da prescrição médica até a chegada à casa do paciente.

Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será examinada pelas comissões de Saúde; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para mudar a lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e sancionado pelo presidente da República.