Política

Mendonça desobriga presença de ex-chefe de Supervisão Bancária do BC na CPI do Crime Organizado

24/03/2026
Mendonça desobriga presença de ex-chefe de Supervisão Bancária do BC na CPI do Crime Organizado
Mendonça desobriga presença de ex-chefe de Supervisão Bancária do BC na CPI do Crime Organizado - Foto: © flickr.com / Fellipe Sampaio/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), desobrigou a ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central, Belline Santana, de depor na CPI do Crime Organizado. A oitiva foi marcada às 9h desta terça-feira, 24.

A decisão transforma o comparecimento em ato facultativo. Caso Belline opte por se apresentar à comissão, fique assegurado o direito ao silêncio diante de perguntas que possam incriminá-lo, a presença de um advogado durante toda a oitiva, a dispensa do compromisso formal de dizer a verdade e a proteção contra constrangimentos físicos ou morais por parte de parlamentares ou autoridades.

A custódia do depoente dentro das dependências do Congresso Nacional caberá à Polícia Legislativa do Senado Federal.

Mendonça fundamentou a decisão no artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição, que garante ao investigado o direito de não produzir provas contra si mesmo. O ministro citou os julgamentos das ADPFs 395 e 444, de junho de 2018, quando o plenário do STF vedou a condução coercitiva de investigações para interrogatórios, e o HC 171.438, relatado pelo ministro Gilmar Mendes em 2019, que consolidou o entendimento de que o direito à não autoincriminação abrange a faculdade de comparecimento ou não ao ato. Mendonça também é precedente de sua própria relatoria nos HCs 232.643, 247.450, 247.792 e 254.442.

Como Belline está conectado ao monitoramento eletrônico, Mendonça determinou que a Polícia Federal organizasse as condições logísticas de transporte até a sede do Senado Federal, com escolta e vigilância contínua. O investigado deverá retornar imediatamente ao local de custódia após o encerramento do ato.

A Presidência da CPI, as defesas contidas e a PF foram notificadas com urgência. Qualquer deslocamento fica condicionado à manifestação prévia, expressa e inequívoca do investigado confirmando a opção pelo comparação.

Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, são investigados por suspeita de atuarem como consultores informais do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em troca de vantagens indevidas, segunda apuração da Polícia Federal.

Os dois foram alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Antes da operação, já foram fornecidas as cargas à determinação administrativa do BC no âmbito de sindicância interna. O próprio Mendonça havia questionado judicialmente o afastamento de Belline do órgão.