Política
Contador é preso por ordem de Moraes por quebra de sigilo fiscal de parentes de autoridades
Washington Travassos de Azevedo teria acessado dados fiscais de mais de 1.800 contribuintes, incluindo familiares de ministros do STF, parlamentares e empresários.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de um contador suspeito de envolvimento em uma operação para obtenção ilegal de dados fiscais sigilosos de parentes de ministros da Corte, além de deputados, senadores, empresários e outras autoridades. A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.
De acordo com a assessoria do STF, a prisão foi decretada por Moraes em 13 de março, após solicitação da Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também apoiou o pedido de prisão.
Segundo o ministro, o contador Washington Travassos de Azevedo teria acessado dados fiscais de 1.819 contribuintes, incluindo familiares de diversas autoridades. "A prisão preventiva de Washington Travassos de Azevedo foi decretada em 13 de março de 2026, a pedido da Polícia Federal, uma vez que o investigado foi apontado, dentro da organização criminosa, como um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional que, de 8.1.2024 a 27.2026, conforme apontou a Procuradoria-Geral da República em manifestação pela decretação de prisão, teria acessado dados constantes das DIRPF de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública", inclusive com a realização de download de declarações."
Ainda segundo Moraes, a prisão foi efetivada em 14 de março e a audiência de custódia ocorreu no mesmo dia.
Conforme a Folha de S.Paulo, o contador teria admitido a obtenção irregular dos dados e atuava como intermediário entre um interessado nas informações de parentes do ministro e outra pessoa responsável pela oferta do serviço ilegal.
Entre os dados obtidos ilegalmente estariam informações fiscais da advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Ela está no centro de uma crise no STF após a divulgação de detalhes sobre seu contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro — atualmente preso por fraude financeira e em negociação de delação premiada.
Especialistas consultados pelo Estadão consideraram o valor do contrato incompatível com os valores de mercado.
Em fevereiro, por determinação do STF, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, no âmbito de investigação sobre vazamentos de dados de ministros da Corte e seus familiares. A Receita Federal já havia detectado a quebra de sigilo fiscal da esposa de Moraes.
Para Alexandre Wunderlich, doutor em Ciências Criminais pela PUC-RS, a prisão está tecnicamente justificada. "O sigilo fiscal é protegido por lei e sua violação clandestina é crime. O caso envolve uma estrutura organizada para essa prática, e a prisão preventiva, mesmo sem denúncia formalizada, depende de elementos como garantia da ordem pública e da instrução criminal. O processo passou pelo crivo da Polícia e da PGR, e, devido ao foro privilegiado, a decisão coube ao STF", avaliou Wunderlich.
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