Política
Do PL ao PSDB: JHC muda de partido vira tucano e aposta em grupo próprio para eleição de outubro
Prefeito de Maceió rompe com o PL, mira o PSDB e monta chapa própria com Marina Candia ao Senado em movimento de enfrentamento ao grupo de Arthur Lira
O prefeito de Maceió, JHC, confirmou nesta sexta-feira, 20, um movimento político que já vinha sendo desenhado nos bastidores e decidiu deixar o PL para disputar o Governo de Alagoas por outra legenda, tendo o PSDB como destino mais provável e politicamente mais ajustado no atual tabuleiro estadual. A definição foi tratada em reunião com vereadores da base e aliados e representa uma mudança de peso no cenário sucessório de 2026.
A saída do PL ocorre após o agravamento do embate entre JHC e o deputado federal Arthur Lira, que passou a concentrar maior influência sobre os rumos do partido em Alagoas. Segundo a apuração publicada nesta sexta, a permanência de JHC na legenda se tornou inviável depois da conversa em Brasília com Flávio Bolsonaro, já que a orientação nacional do PL seria priorizar Arthur Lira e Alfredo Gaspar para o Senado, deixando sem espaço o projeto político do prefeito de Maceió.
Nesse contexto, JHC vira tucano, partido de Téo Vilela e Aécio Neves, numa guinada que tem forte peso simbólico e eleitoral. De acordo com a apuração publicada em Alagoas, o PSDB passou a ser visto como o caminho mais viável para abrigar a candidatura do prefeito, por oferecer menos atrito imediato e por estar, no Estado, sob comando de Teotonio Vilela Filho, aliado do vice-prefeito Rodrigo Cunha.
A mudança não é apenas partidária. Ela também reposiciona JHC no xadrez político alagoano. Segundo interlocutores, pesquisas de opinião teriam reforçado a convicção do grupo de que há ambiente popular para uma candidatura ao Palácio República dos Palmares, o que acelerou a tomada de decisão e fortaleceu a ideia de construção de um projeto próprio, sem submissão a arranjos impostos por outros caciques políticos. Essa leitura de bastidor ajuda a explicar a pressa do prefeito em buscar uma legenda onde tenha comando e liberdade de composição.
No mesmo movimento, também foi traçada a estratégia da chapa majoritária. A primeira-dama Marina Candia aparece no desenho político como nome para a disputa ao Senado, reforçando a intenção de JHC de montar um grupo com identidade própria e autonomia em relação ao projeto liderado por Arthur Lira. A possibilidade de Marina integrar a chapa já constava nas negociações de permanência do prefeito no PL e permaneceu como peça central no novo plano político.
Nos bastidores, o rompimento é lido como mais um capítulo da disputa silenciosa, mas cada vez mais aberta, entre JHC e Arthur Lira. O prefeito não aceitou a hipótese de permanecer em um partido sob comando adversário nem a exigência de uma composição que contrariasse seu plano doméstico e eleitoral. Ao optar pela saída, sinaliza que prefere correr o risco de uma candidatura independente a aceitar tutela política.
A ida para o PSDB, caso seja formalizada nos próximos dias, terá valor estratégico e narrativo. Estratégico, porque oferece uma sigla disponível para ancorar a candidatura. Narrativo, porque permite a JHC apresentar-se como protagonista de uma nova frente de centro-direita em Alagoas, agora fora da órbita do PL e em rota própria para 2026.
Com isso, o quadro eleitoral alagoano ganha novo contorno. De um lado, Arthur Lira consolida sua pré-candidatura ao Senado e amplia a influência sobre o PL no Estado. De outro, JHC reage, troca de trilho e tenta transformar a crise partidária em plataforma de lançamento para o governo, levando consigo Marina Candia para o centro da disputa majoritária.
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