Política
Mauro Vieira defende cooperação com EUA para combater crime organizado
Ministro das Relações Exteriores destaca importância de acordo bilateral, mas reforça soberania nacional e descarta classificação automática de organizações criminosas brasileiras como terroristas.
Em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi questionado sobre a postura do Brasil diante da guerra no Oriente Médio. O ministro também respondeu sobre a posição do governo em relação à proposta dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas.
O deputado General Pazuello (PL-RJ) defendeu que o Brasil adote posições mais firmes de apoio aos EUA. “Nós não podemos deixar que um governo como o do Irã massacre dezenas de milhares de pessoas e fique por isso mesmo. Que se armar e buscar armamento nuclear e fique por isso mesmo. Precisamos ombrear contra um país que comandou milícias terroristas, que nós registramos como terroristas também. O nosso país não é pacifista”, afirmou.
Mauro Vieira esclareceu que o Brasil condenou tanto ações americanas e israelenses quanto iranianas. Ressaltou ainda que o início dos ataques, em 28 de fevereiro, ocorreu durante negociações sobre a questão nuclear do Irã. Segundo Vieira, o governo de Omã, mediador das conversas, garantiu que o Irã vinha aceitando a critério de não desenvolvimento de armas e inspeções internacionais em suas instalações nucleares.
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) destacou o pedido de demissão do diretor de contraterrorismo dos EUA, Joe Kent, que justificou sua saída afirmando que o Irã não representa ameaça aos Estados Unidos.
Já o deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) defendeu a intenção americana de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas, argumentando que isso facilitaria a adoção de avaliações contra esses grupos.
Acordo com os EUA
Mauro Vieira afirmou que o governo brasileiro busca um acordo de combate ao narcotráfico baseado na cooperação entre os dois países. O ministro lembrou ainda que o Congresso Nacional não aprovou a classificação de organizações terroristas ao votar o novo texto de combate às facções criminosas.
"Então isso permitiria que qualquer tipo de força americana — exército ou forças armadas dos EUA — viesse ao território brasileiro, invadisse o território brasileiro para exterminar grupos terroristas, o que fosse. Nós não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros", enfatizou o ministro.
Parceria com a China
O ministro também respondeu ao requerimento do deputado Gustavo Gayer (PL-GO) sobre relatório do Congresso americano que menciona supostas bases militares chinesas no Brasil. Vieira esclareceu que o telescópio Bingo, na Paraíba, citado no relatório, é fruto da parceria científica entre Brasil, Reino Unido, África do Sul e China.
"O telescópio Bingo vai pesquisar especificamente sobre energia escura, matéria, antimatéria, radiação, entre outros temas de alta relevância científica. Não há absolutamente nenhum elemento operacional, tecnológico ou material que permita associar o telescópio Bingo a atividades de inteligência, espionagem, vigilância ou qualquer objetivo militar", afirmou.
Sobre a chamada “estação tucano”, também mencionada no relatório norte-americano, o ministro esclareceu que ela não existe. Trata-se de um projeto de empresa privada do setor de telecomunicações que não saiu do papel.
Mais lidas
-
1CAMPEONATO BRASILEIRO
Grêmio empata com Red Bull Bragantino e desperdiça chance de entrar no G-4
-
2ALERTA METEOROLÓGICO
Litoral de SP pode registrar em poucas horas chuva prevista para o mês inteiro
-
3DESFALQUE NA DECISÃO
Cássio sofre estiramento no joelho e desfalca Cruzeiro na final do Mineiro; Gerson está liberado
-
4DENÚNCIA NA PGR
Deputado do Novo protocola notícia-crime contra Moraes e esposa por suposto envolvimento no caso Master
-
5SAÚDE
Anvisa aprova medicamento inovador que retarda avanço do diabetes tipo 1