Política

Dirceu critica Flávio Bolsonaro, rejeita tom conciliador e reúne Centrão em festa de 80 anos

Ex-ministro ataca pré-candidato à Presidência, defende renovação do Congresso e afirma que eleição não será de 'Lulinha paz e amor'.

18/03/2026
Dirceu critica Flávio Bolsonaro, rejeita tom conciliador e reúne Centrão em festa de 80 anos
Dirceu critica Flávio Bolsonaro, rejeita tom conciliador e reúne Centrão em festa de 80 anos - Foto: Reprodução / Instagram

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato a deputado federal José Dirceu (PT-SP) celebrou seu aniversário de 80 anos em um restaurante de luxo em Brasília, na noite desta terça-feira (17), reunindo ministros, políticos da base governista, do Centrão e lideranças históricas do PT.

Durante o evento, Dirceu fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), pré-candidato à Presidência da República. Segundo ele, Flávio representa a volta da extrema direita ao poder e colocaria em risco a soberania nacional nas eleições deste ano. O ex-ministro afirmou que o programa de Flávio seria semelhante ao do presidente argentino Javier Milei, incluindo propostas como desvincular o salário mínimo das aposentadorias, privatizar bancos públicos e a Petrobras, além de eliminar o piso constitucional da saúde e da educação. "Ele quer regredir o Brasil para o século 19", disse Dirceu.

"Não podemos nos enganar, a volta do bolsonarismo se chama Flávio Bolsonaro. Ele é golpista como o pai e tem a mesma origem da extrema direita. O mais grave é que ele tomou um lado no mundo hoje: o lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o lado da guerra. Nós não podemos, em nenhum momento, imaginar o Brasil governado por ele. O Brasil vai ser governado pelo Trump, pelos interesses dos Estados Unidos, pelo império e pela guerra", afirmou Dirceu.

O ex-ministro também elogiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando que o presidente demonstrou capacidade de liderança durante a crise do tarifaço e nos conflitos internacionais. Dirceu ressaltou, porém, que a campanha presidencial deste ano não será como a de 2002, marcada pelo tom conciliador de "Lulinha paz e amor".

"Nós temos que dizer claramente ao povo brasileiro: essa não é campanha de Lulinha paz e amor. Essa é uma campanha que nós temos que ganhar a maioria do povo brasileiro por uma revolução política e social no Brasil", afirmou.

Condenado nos escândalos do Mensalão e da Operação Lava Jato, Dirceu também defendeu a investigação de fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos do INSS e do Banco Master, mas alertou que políticos de direita foram eleitos com base na bandeira anticorrupção, tema que, segundo ele, voltará a ser central neste ano. Ele citou as vitórias eleitorais de Jânio Quadros, Fernando Collor, Jair Bolsonaro e dos presidentes da ditadura militar (1964-1985) como exemplos.

"É verdade que é preciso ir ao fundo no caso do Master e do caso do INSS, mas é preciso lembrar do Jânio Quadros, do Collor, do Bolsonaro e da própria ditadura. A ditadura foi dada em nome da luta contra a corrupção em primeiro lugar, depois a subversão", disse Dirceu.

Entre os convidados da festa estavam o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), e os ministros Camilo Santana (Educação), Esther Dweck (Gestão), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Wolney Queiroz (Previdência Social).

Políticos do Centrão também marcaram presença, como o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-ministro do Turismo e deputado Celso Sabino (sem partido-PA). Em seu discurso, Dirceu defendeu ainda uma renovação do Congresso Nacional.