Política

Operadora do INSS pagou R$ 4 milhões a Stefanutto, diz PF

Ex-presidente do INSS teria recebido propina de advogada investigada por fraudes em descontos a aposentados, segundo decisão do STF.

17/03/2026
Operadora do INSS pagou R$ 4 milhões a Stefanutto, diz PF
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS - Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Polícia Federal afirma que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, recebeu R$ 4 milhões em propinas da advogada Cecília Rodrigues Motta. Ela é suspeita de atuar em nome de entidades que realizaram descontos fraudulentos sobre aposentadorias pela Previdência Social.

A menção aos pagamentos consta na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que autorizou a prisão de Cecília no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura supostas fraudes de R$ 6,2 bilhões contra aposentados.

De acordo com a decisão do ministro, "a partir das análises dos dados extraídos do telefone de Cecília foram encontrados comprovantes de supostos pagamentos, reservas de hospedagem e passagens aéreas em nome de Gilmar Stelo, identificado como assessor direto de Stefanutto".

Stelo já era conhecido da PF no contexto da Operação Sem Desconto. Advogado com escritório no Rio Grande do Sul, ele havia sido apontado como suposto operador de propinas de outra entidade, a Conafer, para Stefanutto, que presidiu o INSS até abril de 2025, quando foi afastado judicialmente no âmbito da operação. Posteriormente, Stefanutto acabou preso.

Cecília Motta também foi alvo da primeira fase da operação, sob suspeita de representar diversas entidades junto ao INSS e pagar propinas a dirigentes para viabilizar acordos de cooperação técnica. Esses acordos permitiam que as associações efetuassem descontos diretamente na folha de pagamentos dos aposentados, em troca da oferta de serviços e seguros. As entidades são investigadas por fraudar assinaturas e biometria das vítimas em processos de filiação.

As investigações também identificaram que a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB), suspeita de receber propinas de Cecília, atuou junto a Stefanutto. Segundo a decisão de Mendonça, ela "frequentemente contatava servidores do INSS, dentre eles Stefanutto, para, mediante pagamento de propina, viabilizar o credenciamento e ativação de entidades associativas de aposentados com as quais tinha relação".