Política

Federação do PT aciona TSE contra PL e irmãos Bolsonaro por associação à criminalidade

Ação denuncia vídeos com acusações e uso de IA para vincular Lula e PT a facções criminosas

17/03/2026
Federação do PT aciona TSE contra PL e irmãos Bolsonaro por associação à criminalidade
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, protocolou um pedido de liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PL e os irmãos Flávio e Carlos Bolsonaro, acusando-os de propaganda eleitoral antecipada.

Segundo a federação, os bolsonaristas publicaram três vídeos no Instagram que, conforme a ação, disseminam informações falsas e fora de contexto para promover ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Procurados, PL, Flávio e Carlos Bolsonaro não se manifestaram sobre o caso.

O primeiro vídeo, publicado por Flávio e compartilhado nos perfis do PL e de Carlos, afirma que “Lula não quer que as facções sejam tratadas como terroristas”. Na legenda, Flávio sustenta que o presidente age de modo oposto ao combate ao narcoterrorismo e ao financiamento dessas facções.

De acordo com a representação, “os valores e objetivos da política externa brasileira são propositalmente distorcidos para, em meio à exposição de imagens cruas de violência física/psicológica, influenciar a opinião do eleitorado e fomentar a falsa percepção de que o Chefe do Executivo e o PT atuam na ‘proteção’ dos interesses de facções criminosas”.

O segundo vídeo traz um suposto áudio de ligação telefônica que associa o PT ao PCC, reforçado por recortes descontextualizados de manchetes jornalísticas. O objetivo, segundo a federação, seria criar uma ligação inexistente e desleal entre as partes citadas.

Já a terceira publicação afirma: “As ligações do PT com o submundo parecem não ter limites. Lula e o PT sempre acabam se alinhando com o que não presta”. O vídeo também ataca diretamente a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

O conteúdo motivou Gleisi a processar Flávio Bolsonaro na segunda-feira, 16. A defesa da ministra alega que o senador faz uso “nefasto do abuso” do direito de expressão e da inviolabilidade parlamentar, com o intuito de destruir a reputação de adversários políticos por meio da propagação de medo e ódio. Ela pede indenização por danos morais e a retirada do conteúdo do ar. Flávio não quis comentar o processo.

Os advogados da federação solicitam a remoção imediata das publicações, argumentando que o uso de imagens sintéticas geradas por inteligência artificial com caráter difamatório viola a legislação eleitoral. Eles destacam que a propagação de conteúdo manipulado é rápida e de difícil reversão, agravando os danos quanto mais tempo permanece online. Também pedem aplicação de multa diária em caso de descumprimento.

O uso de associações com o crime organizado como estratégia de ataque político tem sido recorrente tanto entre a esquerda quanto no bolsonarismo. Na semana passada, Gleisi e Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, divulgaram um vídeo nas redes sociais que atribui a Flávio Bolsonaro vínculos com organizações criminosas. O senador classificou a gravação como “notícia falsa para tentar salvar Lula”.

A vinculação de adversários a facções criminosas se intensificou nos últimos pleitos, especialmente diante da pressão do governo Trump para que o Brasil classifique PCC e CV como organizações terroristas.

Críticos dessa medida no governo federal alegam que tal classificação pode abrir espaço para interferência militar dos Estados Unidos no Brasil sob o pretexto de combate ao crime. Já a oposição explora a postura de Lula para alegar que ele busca, na verdade, proteger as facções.