Política
Projeto cria faixas exclusivas para cadeirantes em vias públicas de todo o país
O Projeto de Lei 6511/25 institui a chamada Via Acessível para Cadeirantes, uma infraestrutura projetada para deslocamento seguro, contínuo e independente de pessoas que utilizam cadeiras de rodas manuais ou motorizadas. A proposta do deputado Filipe Martins (PL-TO) abrange tanto as vias urbanas quanto as rurais de circulação pública em todo o território nacional.
De acordo com o texto em análise na Câmara dos Deputados, a Via Acessível poderá ser rompida como uma faixa exclusiva, corredor segregado ou segmento contínuo de circulação, integrando-se a calçadas, ciclovias e pontos de transporte público. O uso será restrito a cadeiras de rodas, sendo proibida a circulação de veículos motorizados, bicicletas ou patinetes, exceto em casos de emergência ou manutenção.
Segundo o autor, a iniciativa busca preencher uma lacuna nas leis atuais, que se concentra em adaptações gerais, mas não em faixas específicas. “A criação da Via Acessível representa avanço estrutural na mobilidade urbana brasileira, promovendo segurança viária, redução de acidentes, autonomia e independência dos cadeirasntes”, justifica Filipe Martins.
Regras e prazos
O projeto estabelece que as vias devem seguir normas técnicas de acessibilidade, apresentando superfície firme, respeitável e orientação adequada. A responsabilidade pela implementação será dividida entre municípios, estados e União, conforme a competência da via.
A instalação deverá ser prioritária em locais com:
- fluxo superior a 500 pedestres por hora;
- proximidade de hospitais, escolas e centros administrativos; e
- Conexão com terminais de transporte coletivo.
Os prazos para a decisão das obras variam conforme o tamanho da cidade: 5 anos para capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, e 10 anos para as demais localidades.
Financiamento
Para viabilizar as obras, o projeto cria o Fundo Nacional de Acessibilidade. Outras fontes de recursos previstas incluem parcerias público-privadas, fundos de mobilidade urbana e transferências voluntárias da União. Segundo o texto, a União dará prioridade aos entes federativos que possuíam maior proporção de pessoas com deficiência.
Filipe Martins ressalta que o Brasil enfrenta um descumprimento clássico de normas de acessibilidade. “As barreiras comprometem a integração social, o acesso ao trabalho, à educação, à saúde e aos demais serviços públicos essenciais”, afirma o parlamentar.
A proposta ainda define que o Poder Executivo promoverá campanhas permanentes de conscientização sobre o uso da via, utilizando formatos acessíveis como Libras, braile e audiodescrição.
Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e será pago pelas comissões de Viação e Transportes; de Desenvolvimento Urbano; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para mudar a lei, precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores e sancionado pelo presidente da República.
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