Política

Kassab nega atritos com Tarcísio e reforça apoio do PSD ao governo de SP

Presidente do PSD afirma que partido está alinhado ao projeto de Tarcísio de Freitas e minimiza rumores de tensão na relação.

27/02/2026
Kassab nega atritos com Tarcísio e reforça apoio do PSD ao governo de SP
Gilberto Kassab - Foto: Reprodução / Instagram

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Relações Institucionais do governo paulista, negou nesta sexta-feira, 27, qualquer atrito com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Kassab afirmou que o partido "abraçou o projeto" do chefe do Executivo estadual desde 2022.

Em publicação nas redes sociais, na qual compartilhou um trecho de declaração de Tarcísio à TMC também negando desentendimentos, Kassab reforçou que, oficialmente, o PSD integra a base do governador desde o período eleitoral.

"Tenho o privilégio de ser presidente de um partido que se tornou grande, respeitado e que tem como integrantes os melhores quadros da vida pública brasileira. De maneira oficial, tenho transmitido desde 2022 que o PSD abraçou o projeto do governador Tarcísio de Freitas", escreveu Kassab.

A manifestação ocorre em meio a indícios de uma relação tensa entre Kassab e Tarcísio. Conforme mostrou o Estadão, Kassab enfrenta desconfiança no núcleo mais próximo do governador, e seus poderes na administração teriam sido limitados ao longo do mandato. Aliados do Palácio dos Bandeirantes afirmam que o secretário tem "caneta", mas "sem tinta".

No vídeo republicado por Kassab, Tarcísio declarou que não há pressão do presidente do PSD para ser escolhido como vice em uma eventual chapa à reeleição ao governo de São Paulo.

"Na relação pessoal não tem pressão alguma", afirmou Tarcísio à TMC. "Ele sempre deu uma tranquilidade muito grande: 'estou no seu projeto independente da sua escolha'; e isso é muito forte."

Kassab nunca escondeu que seu projeto político inclui ocupar a vice na chapa de Tarcísio à reeleição, movimento semelhante ao de 2004, quando, então deputado federal pelo PFL, foi vice de José Serra (PSDB) e chegou à Prefeitura de São Paulo.

Kassab destacou ainda que a posição do PSD "incomoda a muitos". "Vão se desiludir os que apostam num afastamento entre mim, o PSD e Tarcísio de Freitas", escreveu.

Embates públicos

Na semana passada, o governador respondeu a críticas de que seria "submisso" ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declaração feita por Kassab sem citar nomes.

No final de janeiro, em entrevista ao UOL News, Kassab afirmou que o reconhecimento ao papel de Bolsonaro na trajetória política de Tarcísio não deve ser confundido com dependência ou ausência de identidade própria. "Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão", disse.

Tarcísio tem reiterado apoio ao candidato de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesta sexta-feira, durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com a presença do senador, o governador se referiu a Flávio como "futuro presidente do Brasil" e afirmou que os dois tiveram um "excelente papo sobre o Brasil" pela manhã, em referência a um encontro reservado no Palácio dos Bandeirantes antes da cerimônia. "Flávio será capaz de unir todos num projeto convergente", completou.

Já Kassab reiterou na semana passada que o PSD deverá lançar candidatura própria à Presidência da República nas eleições deste ano. A declaração surge em meio a especulações sobre eventual apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável adversário de Flávio. O PSD comanda três ministérios no governo federal: Pesca, Minas e Energia e Agricultura.