Política
Após fracasso eleitoral do irmão em 2022, JHC conseguirá transferir votos para Marina Cândia ao Senado este ano?
Possível candidatura da primeira-dama de Maceió levanta dúvidas sobre capital político no interior e reacende debate sobre a real força eleitoral do prefeito fora da capital
Maceió — A eventual candidatura da primeira-dama de Maceió, Marina Cândia, ao Senado da República surgiu de forma repentina nos bastidores políticos de Alagoas e já provoca questionamentos contundentes. A principal dúvida que ecoa entre analistas e lideranças regionais é direta: o prefeito João Henrique Caldas conseguirá, desta vez, transferir votos suficientes para viabilizar uma disputa majoritária estadual?
O questionamento ganha força quando se relembra a eleição de 2022. Naquele pleito, o prefeito empenhou capital político e exposição para impulsionar a candidatura do irmão à Câmara Federal. Apesar da visibilidade e do engajamento digital, o resultado foi considerado abaixo das expectativas: cerca de 90 mil votos em todo o Estado, insuficientes para garantir eleição. O episódio foi tratado nos bastidores como frustração político-eleitoral e serviu de alerta sobre os limites da influência do prefeito fora da capital.
Capital restrito à capital?
Marina Cândia chegou a Alagoas há pouco mais de seis anos, vinda de Cuiabá (MT). Desde então, sua atuação pública concentrou-se em ações sociais na capital, especialmente na área de assistência social e iniciativas vinculadas ao gabinete da primeira-dama. Embora essas atividades tenham gerado visibilidade em Maceió, seu nome ainda é pouco conhecido no interior — região decisiva em qualquer disputa ao Senado.
Em muitos municípios do Sertão, Agreste e Zona da Mata, Marina é considerada uma figura distante do cotidiano político local. Diferentemente de lideranças que construíram trajetória ao longo de décadas no interior, sua presença estadual ainda é incipiente.
Eleição majoritária exige musculatura estadual
Disputar o Senado em Alagoas não é tarefa simples. Trata-se de eleição majoritária, em que a soma dos votos em todas as regiões define o resultado. Nomes tradicionalmente competitivos no Estado costumam reunir histórico político consolidado, alianças municipais estruturadas e capilaridade regional.
A possível candidatura da primeira-dama esbarra justamente nesse ponto: ausência de trajetória política própria no interior e dependência direta da força eleitoral do prefeito da capital. E é aí que surge a dúvida central - se JHC não conseguiu converter sua popularidade digital em vitória estadual para o próprio irmão, conseguirá fazê-lo agora para a esposa?

Redes sociais não garantem urna
A experiência recente reforça um aprendizado recorrente na política alagoana: presença intensa nas redes sociais não substitui articulação regional nem garante transferência automática de votos. Alagoas possui dinâmica eleitoral marcada por alianças locais, lideranças tradicionais e forte influência municipal.
A eventual entrada de Marina na disputa colocaria à prova a real extensão do capital político de JHC além dos limites de Maceió. Até o momento, a força do prefeito tem se mostrado robusta na capital, mas limitada quando atravessa as fronteiras urbanas rumo ao interior profundo.
Teste de força ou risco calculado?
Ainda sem anúncio oficial, a movimentação pode ser interpretada como ensaio estratégico para medir cenário e testar viabilidade. No entanto, caso a candidatura se concretize, enfrentará adversários experientes, com décadas de estrada política e base consolidada no interior.
A pergunta que permanece no ar é clara e objetiva: haverá transferência real de votos ou repetição de um desempenho abaixo das expectativas?
No tabuleiro eleitoral alagoano, tradição, interiorização e estrutura continuam sendo fatores determinantes. E, até aqui, Marina Cândia ainda não demonstrou possuir o estofo eleitoral exigido para uma disputa ao Senado em um Estado tão complexo e competitivo quanto Alagoas.
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