Política
Haddad confirma candidatura ao governo de SP após pedido de Lula; Pacheco deve concorrer em Minas
Ministro da Fazenda cede à pressão do PT e prepara saída do governo para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Lula costura palanques em São Paulo e Minas Gerais.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), decidiu atender ao apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será candidato ao governo de São Paulo. Após meses negando a possibilidade, Haddad comunicou a aliados que não poderia recusar o pedido de Lula.
Haddad e Lula devem se reunir novamente nesta quinta-feira (26), durante jantar no Palácio da Alvorada, para discutir detalhes da candidatura. O presidente também planeja novo encontro com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), buscando acertar os últimos pontos para a candidatura de Pacheco ao governo de Minas Gerais.
Com esse arranjo, Lula fortalece os palanques petistas nos dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo e Minas Gerais. A tendência é que Geraldo Alckmin (PSB) permaneça como vice na chapa de Lula para a reeleição presidencial.
A recente ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, nas pesquisas de intenção de voto, surpreendeu o Planalto. Integrantes do governo avaliam que foi um equívoco não responder publicamente às acusações envolvendo Flávio, como o caso da "rachadinha".
No cenário paulista, a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) enfrenta turbulências após desentendimentos com o secretário de Governo, Gilberto Kassab. Para a cúpula do PT, o momento é propício para Haddad iniciar, mesmo que de forma discreta, sua pré-campanha e articulações políticas.
Embora ainda não tenha oficializado a candidatura, Haddad deve deixar o Ministério da Fazenda no fim deste mês ou no início de abril para disputar o governo paulista. Internamente, é visto como o principal nome do PT para suceder Lula a partir de 2030.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deve deixar a Rede e se filiar ao PT para concorrer ao Senado, enquanto a segunda vaga na chapa ainda está indefinida.
Outra possibilidade em discussão é a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), ao Senado por São Paulo. Para isso, Tebet precisaria deixar o MDB, que apoia Tarcísio, e transferir seu domicílio eleitoral para o estado. Ela recebeu convite do PSB, mas ainda não decidiu seu futuro partidário.
Em conversas reservadas durante viagem à Índia, Lula reforçou a Haddad a necessidade de um palanque forte em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Em 2022, mesmo derrotado por Tarcísio, Haddad foi fundamental para que Lula ampliasse a votação na capital paulista e vencesse Jair Bolsonaro na disputa presidencial.
No início desta semana, dirigentes do PT se reuniram em São Paulo e estipularam o prazo até 10 de março para Haddad se posicionar oficialmente. Nos bastidores, sua candidatura já era tratada como certa.
Lula também manifestou, durante a viagem à Índia, sua confiança na candidatura de Pacheco ao governo de Minas Gerais, afirmando que as negociações com o senador estão bem encaminhadas.
Ex-presidente do Senado, Pacheco almejava uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas Lula optou por Jorge Messias, ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). A sabatina de Messias ainda não foi agendada, pois a escolha gerou insatisfação, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Para contornar a situação, Lula negocia com Alcolumbre para que Pacheco seja candidato ao governo mineiro por outro partido – provavelmente o União Brasil. Em troca, Alcolumbre teria liberdade para novas indicações no governo federal.
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