Poder e Governo

Gilmar critica Nunes Marques e defende integridade da eleição

Ministro do STF espera postura de 'árbitro' do presidente do TSE

Agência O Globo - 03/11/2026
Gilmar critica Nunes Marques e defende integridade da eleição
Nunes Marques - Foto: © Foto / Luiz Silveira / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, utilizou a rede social X para criticar indiretamente o colega de Corte, Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gilmar enfatizou que se espera uma postura de "árbitro" do presidente do TSE, destacando que foi o colegiado da Corte que garantiu uma eleição conforme as regras estabelecidas.

"Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. (...) De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe", escreveu.

Além disso, o ministro alertou que "na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros".

Ele acrescentou que "podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável. Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado", afirmou.

A postura de Nunes Marques como presidente do TSE teve sua conduta criticada por colegas das duas Cortes. Entre os episódios mencionados, está a tentativa de derrubar o canal de WhatsApp "Exército de Lula", que alcançou mais de 10 milhões de seguidores. O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu preliminarmente a ordem de Nunes Marques, e posteriormente, o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu que o canal não poderia ser suspenso por decisão administrativa.

Ocorreram também reclamações sobre a falta de ação dele diante dos relatos de falta de ônibus em cidades do Nordeste, reduto eleitoral de Lula, o que levou o ministro Cristiano Zanin, do STF, a decidir estender a votação em todo o país por mais duas horas.

A decisão ocorreu quando as urnas em alguns locais já haviam sido lacradas. No fim, apenas 35 mil votos foram registrados após às 17h, mas a ação foi suficiente para fomentar críticas e teorias de fraude eleitoral por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi candidato à Presidência, e seus aliados.