Poder e Governo
Imprensa argentina repercute convocação do Itamaraty à encarregada de negócios sobre Flávio Bolsonaro
Senador chegou aos EUA após atravessar fronteira, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas
A imprensa argentina repercutiu nesta quarta-feira a convocação feita pelo Itamaraty à encarregada de negócios do país vizinho para pedir esclarecimentos sobre a fuga do ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro aconteceu na quinta-feira.
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O jornal La Nacion afirmou que a diplomata María Emilia Cortés foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, que solicitou esclarecimentos. Cortés se comprometeu a prestar informações, de forma genérica, segundo o veículo. A publicação afirma que fontes relataram tratar-se de um "procedimento diplomático padrão", cujo aspecto mais significativo foi o gesto de convocar a diplomata.
Ao jornal Clarín, uma fonte afirmou que a convocação é "apenas parte do esforço de coletar informações sobre o ocorrido", acrescentando que "não há drama". A reunião não teria sido uma repreensão ao governo vizinho.
O site argentino Infobae afirma que o governo "optou deliberadamente por manter o contato discreto", com o objetivo de evitar que o episódio virasse um confronto.
De acordo com informações divulgadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal, às 22h50 de terça-feira. Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly, com destino inicialmente informado para Guayaquil, no Equador. A aeronave seguiu posteriormente para Miami, nos Estados Unidos, onde o senador desembarcou na manhã de quarta-feira.
O episódio acrescenta um novo capítulo à crise diplomática entre Brasil e Argentina, marcada por atritos entre Lula e Milei. Durante a campanha presidencial brasileira, o presidente argentino manifestou apoio a Flávio e fez críticas ao petista, contribuindo para o agravamento das relações entre os dois governos.
Em agosto, o Brasil reduziu o nível de sua representação diplomática na Argentina, e as relações passaram a ser conduzidas por encarregados de negócios, sem embaixadores à frente das respectivas missões. Cortés assumiu a representação argentina em Brasília após a saída do embaixador Daniel Raimondi.
O governo argentino também não se manifestou oficialmente sobre a reeleição de Lula. Antes mesmo da saída de Flávio do Brasil, a avaliação de interlocutores do governo brasileiro era de que uma eventual normalização das relações bilaterais dependeria de uma mudança de postura de Buenos Aires.
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