Poder e Governo
Flávio planeja encontro com autoridades em Washington após fuga, dizem aliados
Senador quer encontro com Marco Rubio e outros integrantes do governo Trump
Após receber autorização do governo de Donald Trump para permanecer nos Estados Unidos por um período de ao menos um ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planeja viajar nos próximos dias a Washington para buscar encontros com autoridades americanas. Segundo aliados, um dos principais objetivos é conseguir uma reunião com o secretário de Estado, Marco Rubio, que participou das negociações para permitir sua entrada no país.
Uma audiência com o próprio Trump foi considerada, mas interlocutores do senador avaliam que seria difícil viabilizá-la neste momento.
Flávio pretende aproveitar os contatos construídos durante a campanha presidencial para ampliar sua articulação política com integrantes do governo republicano. Além de Rubio, aliados mencionam possíveis encontros com representantes do Departamento do Tesouro, comandado por Scott Bessent, e parlamentares republicanos.
O senador também avalia viajar ao Texas para se reunir com lideranças conservadoras. Até o momento, não há confirmação de reuniões agendadas nem de datas para os deslocamentos.
A movimentação ocorre em meio à resistência da Casa Branca em endossar a contestação do resultado da eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora tenha recebido apoio do governo Trump para deixar o Brasil, Flávio tenta transformar o acolhimento em respaldo político à sua atuação como líder da oposição a partir dos Estados Unidos.
Rubio é considerado um interlocutor importante pela família Bolsonaro. Em maio, Flávio se reuniu com o secretário de Estado e com o vice-presidente JD Vance na Casa Branca, um dia depois de ter sido recebido por Trump.
Nesta semana, segundo a agência Reuters, Rubio recomendou pessoalmente ao presidente americano que autorizasse a entrada do senador e de sua família no país. Após o aval de Trump, integrantes do Departamento de Estado articularam com as autoridades de imigração a concessão de uma autorização humanitária temporária de permanência, conhecida como humanitarian parole.
Flávio chegou a Miami na terça-feira, depois de deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião particular que fez escala no Equador. A saída ocorreu após o senador descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.
Apesar da ajuda para sua entrada nos Estados Unidos, Trump evitou endossar as acusações de fraude eleitoral feitas pelo aliado, que não apresentou provas das irregularidades alegadas. Questionado sobre a chegada de Flávio ao país, o presidente americano afirmou que aprovava sua entrada, mas disse que não pretendia se envolver na disputa brasileira.
— Não tomei partido, sabe. Conheço os dois. Conheço o Lula. Conheço um pouco o Flávio. Conheço muito bem o pai — afirmou Trump na quarta-feira.
O presidente americano também classificou a eleição brasileira como estranha e criticou a condução do processo, mas não reconheceu a alegação de Flávio de que teria vencido a disputa. Na quinta-feira, Trump voltou a evitar uma resposta direta sobre quem seria o legítimo vencedor do pleito.
Depois de divulgar uma carta de teor golpista em que se declarou presidente eleito, Flávio alterou o documento e passou a se apresentar como "líder" do Brasil. O senador também anunciou que pretende comandar a oposição ao novo mandato de Lula a partir do exterior.
Um grupo de 25 deputados democratas enviou uma carta a Rubio, na quinta-feira, cobrando esclarecimentos sobre a autorização concedida ao senador e a eventual participação de funcionários do governo Trump na organização da viagem.
Os parlamentares querem saber se autoridades americanas tinham conhecimento das restrições judiciais impostas a Flávio, quem participou dos preparativos para sua chegada e se houve utilização de recursos públicos na operação. O grupo estabeleceu o dia 13 de novembro como prazo para receber respostas do Departamento de Estado.
De acordo com o jornal americano The New York Times, o jato usado pelo ex-candidato e sua família para a fuga foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca.
O episódio também repercute nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Nesta sexta-feira, Rubio e o chanceler brasileiro Mauro Vieira participam de uma reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, no primeiro evento internacional com representantes dos dois governos desde a reeleição de Lula e a saída de Flávio do país. Como noticiou o GLOBO, Lula pretende deixar de lado a fuga de seu adversário nas relações internacionais.
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