Poder e Governo

Lula deve convidar Trump e Milei para posse apesar de tensão com EUA e Argentina

Cerimônia será realizada em 5 de janeiro; presidentes ainda não reconheceram vitória do petista e poderão enviar representantes

Agência O Globo - 30/10/2026
Lula deve convidar Trump e Milei para posse apesar de tensão com EUA e Argentina
Lula deve convidar Trump e Milei para posse apesar de tensão com EUA e Argentina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve convidar Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, para a posse de seu quarto mandato, marcada para 5 de janeiro de 2027. A previsão é que os dois sejam incluídos na lista de autoridades estrangeiras, apesar dos atritos com os respectivos governos e da ausência de reconhecimento da vitória do petista no segundo turno das eleições.

O convite segue uma prática adotada pelo Itamaraty, que costuma chamar para a cerimônia os chefes de Estado de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. A presença de Trump e Milei, no entanto, dependerá de uma decisão dos próprios presidentes, que também poderão enviar representantes.

Na posse anterior de Lula, em 1º de janeiro de 2023, o então presidente argentino, Alberto Fernández, veio pessoalmente a Brasília para acompanhar a cerimônia. Já os Estados Unidos, governados por Joe Biden, enviaram uma delegação liderada pela então secretária do Interior, Deb Haaland.

O próprio Lula não compareceu às posses de Trump e Milei. Em dezembro de 2023, quando o argentino assumiu a Presidência, o petista decidiu enviar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para representá-lo. Já na posse de Trump, em janeiro de 2025, o Brasil foi representado pela embaixadora em Washington, Maria Luiza Viotti.

A relação com os Estados Unidos atravessa um novo período de tensão desde a reeleição de Lula, no último domingo. Trump evitou reconhecer a vitória do brasileiro e voltou a levantar suspeitas de fraude no pleito, sem apresentar provas. O republicano afirmou, por outro lado, que não pretende interferir na situação brasileira e que não tomou partido na disputa eleitoral a pedido do próprio Lula.

Com a Argentina, a relação já estava desgastada pelas declarações de Milei contra Lula, que levaram o Itamaraty a convocar o embaixador argentino para prestar esclarecimentos. A tensão ganhou um novo capítulo após a fuga de Flávio Bolsonaro, diante de indícios de que integrantes do governo argentino tenham participado da operação que permitiu a saída do senador do Brasil. O governo Milei também informou que não comentará a vitória de Lula nas eleições.

Apesar das divergências, a orientação da diplomacia brasileira é preservar os canais de diálogo. Nesta sexta-feira, Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participam da mesma reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, nos Estados Unidos. Não há encontro bilateral previsto entre os dois, mas o brasileiro está disposto a conversar caso seja procurado.

A cerimônia de janeiro também marcará uma mudança no calendário político brasileiro. Pela primeira vez desde a Constituição de 1988, a posse presidencial será realizada em 5 de janeiro, em vez do dia 1º. A alteração foi estabelecida por uma emenda constitucional de 2021, que transferiu também a posse dos governadores para o dia 6.