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Caso Master: defesa de Vorcaro contrata perícia e diz que houve alterações no celular do banqueiro após apreensão da PF

Advogados apontam que o serviço foi contratado depois que Vorcaro não reconheceu a veracidade de uma série de conteúdos vazados.

Agência O Globo - 30/10/2026
Caso Master: defesa de Vorcaro contrata perícia e diz que houve alterações no celular do banqueiro após apreensão da PF
Caso Master: defesa de Vorcaro contrata perícia e diz que houve alterações no celular do banqueiro após apreensão da PF - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, contratou um perito e apresentou uma análise técnica preliminar na qual aponta que o celular foi manuseado e teve arquivos alterados após a apreensão, em 17 de novembro do ano passado. Os advogados ressaltam que o serviço foi contratado depois que Vorcaro não reconheceu a veracidade de uma série de conteúdos vazados.

"As constatações do perito são graves e objetivas. Elas não apontam suspeitas, apontam registros. E esses registros estão no próprio relatório oficial da Polícia Federal", diz a defesa em nota.

Conforme a perícia, o telefone já sob custódia policial quando foi manuseado e houve três conexões pela porta USB. O banco de dados do WhatsApp também teria sido modificado e há registros de senhas criadas ou alteradas. "Nada disso consta do termo de apreensão. O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado", frisou a defesa.

De acordo com os advogados, no dia seguinte à prisão, 657 arquivos foram modificados, 59 deles bancos de dados, e 436 arquivos foram criados, entre eles 94 imagens e 5 bancos de dados. "Um aparelho apreendido deve ser preservado, não alimentado ou editado", defenderam.

O relatório do perito afirma que, considerados isoladamente, os registros identificados "não permitem determinar quem operou o dispositivo, se os eventos decorreram de intervenção humana deliberada ou qual a natureza e a extensão das alterações realizadas". Para a análise, ele utilizou, dentre outros arquivos, laudos produzidos pela polícia e extrações integrais do telefone.

"A ausência de elementos que permitam atribuir essas alterações a uma intervenção humana não autoriza, por consequência, classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas, especialmente quando inexistem registros técnicos capazes de demonstrar sua origem e finalidade", diz o relatório da perícia.

A extração do conteúdo do aparelho é datada de 19 de novembro de 2025, mas, conforme a defesa, o relatório entregue pela PF contém 340 arquivos com data de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. "O material que o Estado apresenta como retrato fiel do aparelho carrega registros de modificação posteriores à própria extração, e não há nos autos uma linha de explicação técnica para isso", afirmaram.

Com isso, a defesa alega que, como as provas não podem ter a sua integralidade verificada, elas não podem sustentar a acusação e pede que os dados brutos originais da extração sejam preservados e entregues aos advogados.