Poder e Governo

Relatório da embaixada dos EUA fala em vitória 'surpreendente, mas definitiva' de Lula

Aeronave particular usada pela família do candidato derrotado à Presidência foi organizada por Jason Miller, funcionário da Casa Branca, informou New York Times

Agência O Globo - 30/10/2026
Relatório da embaixada dos EUA fala em vitória 'surpreendente, mas definitiva' de Lula
Relatório da embaixada dos EUA fala em vitória 'surpreendente, mas definitiva' de Lula

Um relatório da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, enviado a órgãos do governo de Donald Trump, como o Departamento de Estado, classifica a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial como 'surpreendente, mas definitiva'. O documento destaca que observadores internacionais não encontraram irregularidades capazes de comprometer a eleição.

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As informações são da 'Folha de S. Paulo'. Embora não tenha declarado apoio diretamente a algum dos candidatos à Presidência do Brasil, Donald Trump e seus aliados mantiveram laços com a família Bolsonaro nos últimos meses, chegando a pressionar o governo Lula com sanções financeiras por alegadas violações de direitos de políticos de direita e supostas restrições a empresas americanas, como as Big Techs. Após perder o segundo turno, o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos com a mulher e as filhas.

Sem apresentar provas, Trump disse que a eleição no Brasil parecia ter sido 'fraudada'. Ponderou, contudo, que gosta do presidente Lula e que não tomou partido na disputa a pedido do petista.

Segundo o relatório da embaixada, a prorrogação em duas horas do horário de votação — um dos pontos centrais da crítica de Flávio ao resultado das urnas — não teve influência no resultado. O documento frisa que a Justiça Eleitoral do Brasil e observadores internacionais confirmaram o triunfo do candidato à reeleição.

Fuga de Flávio: democratas querem explicações sobre papel dos EUA

Os democratas da Câmara dos Representantes buscam explicações sobre o papel do Departamento de Estado em facilitar a fuga do candidato derrotado nas eleições presidenciais do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL), para os Estados Unidos. O senador desembarcou com a mulher e as filhas em Miami, nesta quarta-feira, após a Justiça brasileira determinar a entrega dos passaportes dele, em meio a investigações sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O jornal New York Times reportou, nesta quinta, que a fuga de Flávio contou com ajuda do governo de Donald Trump. O jato particular em que o ex-candidato embarcou na Argentina, fez escala no Equador e depois seguiu para os Estados Unidos, foi organizado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca, informou o jornal americano.

Na noite desta quinta, um grupo de 25 deputados democratas, incluindo membros proeminentes da Comissão de Relações Exteriores, enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com uma lista de perguntas sobre o envolvimento do Departamento de Estado na fuga e o processo de aprovação da entrada do político brasileiro no país.

O ofício foi obtido em primeira mão pelo site Politico. Na carta, os democratas pedem que Rubio esclareça como o Departamento de Estado coordenou com outras agências para conceder o visto, se os funcionários estavam cientes das investigações pendentes contra Flávio Bolsonaro e em que medida as autoridades americanas ajudaram o senador a deixar o Brasil.

'O povo americano e o Congresso têm um legítimo interesse' em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados ​​para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias', escreveram os democratas. 'A transparência é particularmente importante' quando os eventos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas diplomáticas e de imigração dos EUA.

A iniciativa foi liderada por Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. Procurado pela imprensa americana, o Departamento de Estado não respondeu sobre a carta.

O plano de fuga foi posto em prática na segunda-feira, após o Flávio Bolsonaro ser informado de que deveria entregar seus passaportes. A medida cautelar havia sido dada na véspera pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o NYT, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller assim que o irmão foi intimado a entregar os documentos.

Uma fonte do governo disse ao NYT que Flávio Bolsonaro é aguardado para solicitar o status de residente permanente nos Estados Unidos, conhecido como green card. O procedimento normalmente acontece após o recebimento de um visto de imigrante. O pedido de green card de Bolsonaro seria processado rapidamente, de forma semelhante ao que foi concedido a Eduardo Bolsonaro, segundo o mesmo funcionário.

Nesta quinta-feira, Trump afirmou que as eleições presidenciais no Brasil foram uma 'vergonha'.

— Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu — declarou Trump a jornalistas antes de partir para um comício eleitoral.

Ao ser perguntado se buscará o presidente Lula para parabenizá-lo, Trump respondeu que sim, embora tenha qualificado o processo eleitoral como 'uma vergonha'. O presidente acrescentou que não tomou partido nas eleições 'a pedido de Lula'.

PF apura ajuda de empresários

A Polícia Federal investiga qual foi a rota de fuga usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial do último domingo. Os investigadores apuram como ele saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a Argentina, e investigam se ele teve a ajuda de empresários e aliados políticos.

O trajeto de Flávio, após chegar ao país vizinho, já é conhecido, mas ainda há lacunas no caminho feito da capital federal até lá. Uma das possibilidades é que ele tenha feito o trajeto por via terrestre, o que levaria cerca de 20 horas. Na noite de segunda-feira, por volta das 19h50, o comboio usado pelo senador em seus deslocamentos por Brasília deixou o condomínio onde ele mora, mas não há informações sobre os passageiros dos veículos.

Outra hipótese é que um jato privado tenha decolado de algum aeródromo ou pista de pouso em propriedades rurais de Brasília e do entorno rumo a Foz do Iguaçu. Também é analisada a chance de Flávio ter feito parte da viagem de carro e parte de avião.

Dentro desse braço da apuração, investigadores também estão checando se houve auxílio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos da família Bolsonaro. A PF suspeita ainda da participação do governo argentino, sob o comando de Javier Milei, na fuga.

Flávio é alvo de um inquérito em que a PF busca aprofundar as investigações que recaem sobre o senador por lavagem de dinheiro. Ele é alvo de um inquérito que atinge também o advogado e seu amigo Willer Tomaz, que desde agosto está nos Estados Unidos.

O senador é apenas investigado. Por isso, a polícia não o trata como foragido. A investigação sobre a fuga se dá pelo fato de ele ter descumprido ordem judicial de entregar os passaportes e se ausentar do país.