Poder e Governo

Flávio não registra presença em sessão após fuga para os EUA, e gabinete mantém funcionamento

Senador também divulgou carta golpista em que se autoproclama presidente

Agência O Globo - 29/10/2026
Flávio não registra presença em sessão após fuga para os EUA, e gabinete mantém funcionamento
Flávio Bolsonaro - Foto: © Carlos Moura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se ausentou da sessão do Senado nesta quarta-feira. O parlamentar fugiu para os Estados Unidos após ter perdido a eleição presidencial, mas poderia ter votado, já que o plenário do Senado realizou uma sessão que permitia a votação remota.

Os senadores aprovaram um pacote com projetos de auxílio ao agro, transporte e aviação, além de uma medida provisória que amplia a indenização de servidores federais em regiões de fronteira.

O GLOBO visitou o gabinete de Flávio no Senado nesta quinta-feira e conversou com duas funcionárias. Elas informaram que o gabinete funciona normalmente na ausência do senador e que a equipe continua atendendo às demandas de prefeitos, deputados e outras pessoas que procuram o gabinete.

No mesmo dia da sessão de quarta, o candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial disse, por meio de uma carta divulgada nas redes sociais, que se considera o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em seguida, o senador enviou outro texto e declarou que era “líder do Brasil”.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reprovou a carta do correligionário e afirmou que “ninguém concorda com isso”.

Sem apresentar provas, o ex-candidato do PL à Presidência questionou o resultado das urnas e adotou um tom golpista para contestar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O União Brasil divulgou nota afirmando que a democracia é “um valor inegociável” para o partido. “Ela não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas.” O MDB e o PSD também divulgaram notas validando o resultado das urnas.

Por sua vez, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), declarou que busca “a pacificação do país” e, por isso, não comentaria o documento. Contudo, Alcolumbre não forneceu mais detalhes sobre como articularia a pacificação.

— Estou falando todo dia de pacificação do Brasil, e tudo que eu comentar pode ser contrário à minha tese — declarou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também evitou comentar a carta e não fez declarações.

Alcolumbre tenta ser reconduzido ao comando da Casa em fevereiro e enfrenta a oposição de senadores ligados a Bolsonaro, que criticam sua aproximação com o presidente Lula e sua recusa em pautar o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, considerado um inimigo político pelo bolsonarismo.

O PL, partido do ex-presidente, alcançou mais de um terço da Casa, com 29 senadores a partir do próximo ano, tornando-se a maior bancada do Senado. O partido de Flávio se reunirá na semana que vem para debater a eleição do Senado. Apesar disso, o presidente do Senado tenta uma reaproximação com os senadores da oposição para impedir que eles ameacem sua reeleição.