Poder e Governo

Jato que levou Flávio para os EUA teria sido conseguido por funcionário da Casa Branca, diz The New York Times

Aeronave particular usada pela família do candidato derrotado à Presidência foi organizada por Jason Miller, funcionário da Casa Branca.

Agência O Globo - 29/10/2026
Jato que levou Flávio para os EUA teria sido conseguido por funcionário da Casa Branca, diz The New York Times
Flávio Bolsonaro - Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil após a derrota na eleição presidencial do último domingo, com ajuda de Donald Trump, de acordo com o The New York Times. Segundo a publicação, o jato usado pelo ex-candidato e sua família foi providenciado por um funcionário da Casa Branca. Flávio voou na noite de terça-feira da Argentina para o Equador para reabastecimento e, em seguida, viajou para Miami. O uso da aeronave particular foi organizado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca, informou o jornal americano.

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O plano de fuga foi posto em prática na segunda-feira, depois que Flávio Bolsonaro foi informado de que deveria entregar seus passaportes. A medida cautelar havia sido dada na véspera pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o NYT, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller assim que o irmão foi intimado a entregar os documentos.

Uma fonte do governo disse ao NYT que Flávio Bolsonaro é aguardado para solicitar o status de residente permanente nos Estados Unidos, conhecido como green card. O procedimento normalmente acontece após o recebimento de um visto de imigrante. O pedido de green card de Bolsonaro seria processado rapidamente, de forma semelhante ao que foi concedido a Eduardo Bolsonaro, segundo o mesmo funcionário.

Nesta quinta-feira, Trump afirmou que as eleições presidenciais no Brasil foram uma "vergonha".

— Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu — declarou Trump a jornalistas antes de partir para um comício eleitoral.

Ao ser perguntado se buscará o presidente Lula para parabenizá-lo, Trump respondeu que sim, embora tenha qualificado o processo eleitoral como “uma vergonha”. O presidente acrescentou que não tomou partido nas eleições, "a pedido de Lula".

PF apura ajuda de empresários

A Polícia Federal investiga qual foi a rota de fuga usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a derrota na eleição presidencial do último domingo. Os investigadores apuram como ele saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a Argentina, e investigam se ele teve a ajuda de empresários e aliados políticos.

O trajeto de Flávio após chegar ao país vizinho já é conhecido, mas ainda há lacunas no caminho feito da capital federal até lá. Uma das possibilidades é que ele tenha feito o trajeto por via terrestre, o que levaria cerca de 20 horas. Na noite de segunda-feira, por volta das 19h50, o comboio usado pelo senador em seus deslocamentos por Brasília deixou o condomínio onde ele mora, mas não há informações sobre os passageiros dos veículos.

Outra hipótese é que um jato privado tenha decolado de algum aeródromo ou pista de pouso em propriedades rurais de Brasília e do entorno rumo a Foz do Iguaçu. Também é analisada a chance de Flávio ter feito parte da viagem de carro e parte de avião.

Dentro desse braço da apuração, investigadores também estão checando se houve auxílio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos da família Bolsonaro. A PF suspeita ainda da participação do governo argentino, sob o comando de Javier Milei, na fuga.

Flávio é alvo de um inquérito em que a PF busca aprofundar as investigações que recaem sobre o senador por lavagem de dinheiro. Ele é alvo de um inquérito que atinge também o advogado e seu amigo Willer Tomaz, que desde agosto está nos Estados Unidos.

O senador é apenas investigado. Por isso, a polícia não o trata como foragido. A investigação sobre a fuga se dá pelo fato de ele ter descumprido ordem judicial de entregar os passaportes e se ausentar do país.

(Reportagem em atualização)