Poder e Governo
Tarcísio aconselha Flávio a ficar no Brasil e admite possibilidade de concorrer ao Planalto em 2030
'O conselho que nós demos a ele, os advogados, eu, Marinho, foi que ficasse, mas eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro', afirmou o governador
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou que aconselhou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a permanecer no Brasil após sua derrota na disputa à presidência da República, ocorrida no último domingo (25). Entretanto, o chefe do Palácio dos Bandeirantes reconheceu ser "muito difícil julgar" a decisão do aliado em deixar o país após a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de apreender seu passaporte.
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— O conselho que nós demos a ele, os advogados, eu, (Rogério) Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas, foi que ficasse (no Brasil). Mas é o que eu falo: eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro passar… ele está com o pai preso aí há quanto tempo? — afirmou o governador em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, nesta quarta-feira (28).
Tarcísio se reuniu com Flávio e integrantes da campanha numa reunião na segunda-feira, um dia após o resultado das urnas. Na conversa, contou o governador, ele e outros orientaram que o senador pedisse a cassação da chapa do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por abuso de poder político e econômico, ao invés de contestar o resultado das urnas.
— Foi na reunião na casa dos advogados que discutimos, por exemplo, o recado à nação, que foi a gravação daquele vídeo. Ali, ele não fala mais que não vai reconhecer o resultado. Isso não cabe. Fala, por exemplo, que vai pedir a cassação, porque a cassação da chapa é algo normal. Você tem o remédio jurídico para isso. Caso você acredite, assim como eu, que houve abuso de poder político e econômico, existe uma forma de recorrer à Justiça contra isso, que são as ações de investigação da Justiça eleitoral. Isso acontece rotineiramente. Esses foram os conselhos: use esse remédio jurídico e não fale que vai sair — acrescentou Tarcísio na entrevista ao Estadão.
No fim da tarde de segunda-feira, após a reunião, Flávio publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que seguiria esse caminho, mas no dia seguinte iniciou seu plano de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde chegou na manhã da última quarta. À noite, ele divulgou uma carta na qual se autoproclamou 'presidente eleito do Brasil' e, em seguida, alterou o teor do documento, afirmando ser o 'líder' do país.
Tarcísio informou que não poderia “julgar” o senador pela decisão de fugir, pois não sabe como agiria em seu lugar.
— Foram lá pedir o passaporte dele. Ora, o que tem de concreto hoje contra ele? Pode ser que amanhã apareça um monte de coisas, mas não sabemos. Hoje não há nada. E se não há nada, por que pediram o passaporte? Houve uma intimidação. Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos após a proclamação do resultado, já está sendo admoestada pela Polícia Federal, mas com que base? Essa é a pergunta. Eu nunca vou ter a capacidade de julgar, pois devemos sempre nos colocar no lugar dos outros — declarou.
Disputa à presidência
Com Flávio derrotado nas urnas e fora do Brasil, Tarcísio é uma das lideranças da direita que podem sair fortalecidas, mesmo que o senador tenha sinalizado sua intenção de “liderar a oposição” do exterior. Ao ser questionado se pretende se candidatar à presidência da República em 2030, o governador reconheceu a possibilidade, caso realize um bom mandato.
— A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, estarei finalizando o segundo mandato aqui no Estado de São Paulo. Ao completar bem o segundo mandato, abre-se, evidentemente, uma possibilidade (de disputar a presidência). Mas essa é uma questão que deve ser avaliada em grupo, não sozinho — afirmou.
Ele destacou, entretanto, que sua prioridade é cumprir o mandato para o qual foi reeleito em primeiro turno, e acrescentou que seus projetos serão guiados por uma “questão espiritual”, acreditando que Deus lhe mostrará “o caminho”.
— O que está no horizonte agora é honrar meu compromisso com São Paulo. É fazer um bom mandato, de entrega, de realização, que faça a diferença na vida das pessoas, que honre os compromissos. Uma coisa que afasta o eleitor da política hoje é desonrar compromissos — disse, ressaltando que “2030 é outra conversa”.
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