Poder e Governo

Flávio publica carta e se declara ‘presidente eleito’ do Brasil

Senador alega fraude nas eleições e planeja liderar a oposição do exterior

Agência O Globo - 28/10/2026
Flávio publica carta e se declara ‘presidente eleito’ do Brasil
Flávio Bolsonaro - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta com teor golpista, sem apresentar provas, na qual alega ter havido fraude na eleição presidencial. No documento postado em sua rede social, ele se declarou o verdadeiro presidente eleito do país, mesmo após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento após sua saída do Brasil.

O senador também anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos, onde está com a família, e prometeu apresentar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.

— Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente Milei pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher — afirma Flávio em seu discurso.

O pronunciamento ocorreu três dias após a derrota do senador no segundo turno da eleição presidencial. Flávio deixou Brasília na terça-feira e seguiu por terra até a fronteira com a Argentina, de onde embarcou em um avião particular com destino ao Equador e, depois, aos Estados Unidos. Essa saída ocorreu em meio à ofensiva judicial de sua campanha para contestar o resultado das urnas e ao temor de que medidas cautelares fossem adotadas contra ele. Já em território americano, o senador passou a apresentar sua permanência no exterior como uma forma de continuar atuando politicamente sem o risco de ser preso.

No discurso, Flávio sustenta que o resultado do segundo turno foi fraudado e questiona a decisão de prorrogar o horário de votação até as 19h. Sem apresentar provas de irregularidades capazes de alterar o resultado, ele acusa o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defende a cassação da chapa adversária.

— Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos — afirma.

Logo na abertura do documento, Flávio se apresenta como vencedor da disputa presidencial, embora tenha sido derrotado nas urnas.

— Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Ao justificar sua saída do país, o senador afirma que não pretendia deixar o Brasil, mas que decidiu partir por acreditar que seria alvo de medidas judiciais semelhantes às impostas a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio menciona a possibilidade de apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e eventual condenação. No entanto, ele reconhece que não havia mandado de prisão expedido contra si.

— Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado — diz.

Em outro trecho, Flávio rejeita a classificação de sua saída como fuga e sustenta que poderá exercer um papel político mais ativo fora do país.

— Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança.

O senador também dirige uma mensagem aos parlamentares e governadores aliados, com uma referência específica a Rogério Marinho (PL-RN), a quem chama de seu candidato à Presidência do Senado. Essa declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão no comando da Casa e às discussões dentro da direita sobre a reorganização da oposição após a derrota eleitoral.

— Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr — afirma.

Flávio ainda compara sua situação à de lideranças políticas que atuaram no exílio, como o ex-presidente francês Charles de Gaulle, o jurista brasileiro Rui Barbosa e os opositores venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González. Ao citar esses exemplos, procura apresentar sua saída do Brasil como parte de uma estratégia de resistência política.

Finalmente, promete manter uma comunicação frequente com seus eleitores e anunciar uma estratégia de atuação política a partir dos Estados Unidos.

— Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos — conclui.