Poder e Governo

'Estados Unidos do Brasil': carta de Flávio se diz 'presidente eleito' usou brasão nacional da ditadura

Bolsonarista anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos EUA, onde está com a família.

Agência O Globo - 28/10/2026
'Estados Unidos do Brasil': carta de Flávio se diz 'presidente eleito' usou brasão nacional da ditadura
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução

A carta de Flávio Bolsonaro (PL), com teor golpista, na qual ele se autoproclama presidente da República, foi enviada a jornalistas inicialmente com um brasão antigo que se refere ao país como "Estados Unidos do Brasil" — utilizado no período da Proclamação da República, em 1889, até 1968. Treze minutos depois, foi compartilhada uma versão com o brasão "República Federativa do Brasil".

O documento foi divulgado pelo aliado de Flávio, Paulo Figueiredo. Ao enviar a segunda versão, o bolsonarista escreveu: "versão com brasão correto".

Logo na abertura do documento, Flávio também se apresenta como vencedor da disputa presidencial, embora tenha sido derrotado nas urnas.

"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil".

Na carta, Flávio anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos, onde está com a família, e prometeu apresentar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.

Fuga do Brasil

Flávio está nos Estados Unidos desde a manhã desta quinta-feira. O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones. O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano.

De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquil. Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto Opa Locka, um terminal executivo no condado de Miami-Dade. O bolsonarista chegou aos Estados Unidos nesta manhã, às 10h24.

Flávio teve os passaportes cancelados por decisão de Moraes, a pedido da Polícia Federal (PF), que alegava risco de fuga no curso das investigações a que o bolsonarista responde. Ele descumpriu a decisão e não entregou os documentos no prazo determinado.