Poder e Governo

Alcolumbre tenta acordo entre Congresso, governo e STF por ‘pacificação’

Bolsonaristas desejam indulto ou anistia ao ex-presidente.

Agência O Globo - 28/10/2026
Alcolumbre tenta acordo entre Congresso, governo e STF por ‘pacificação’
Davi Alcolumbre - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está avaliando a construção de um acordo para fazer um aceno ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliados do senador afirmam que Alcolumbre entende que as instituições do país precisam trabalhar por uma pacificação que supere as crises envolvendo o bolsonarismo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal.

Alcolumbre busca ser reconduzido ao comando da Casa em fevereiro e enfrenta atualmente a oposição de senadores ligados a Bolsonaro. O PL, partido do ex-presidente, alcançará mais de um terço da Casa, com 29 senadores a partir do ano que vem, consolidando a maior bancada do Senado.

Diversos senadores eleitos de direita, como Guilherme Derrite (PP-SP), André do Prado (PL-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Evair de Melo (Republicanos-ES), descartam qualquer acordo para apoiar Alcolumbre; eles conduziram suas campanhas com o mote de enfrentar o STF.

Para tentar atrair parte desse grupo, Alcolumbre busca fechar um acordo que reduza o cerco judicial sobre a oposição.

Um aceno nessa direção foi tentado antes das eleições, no ano passado, com a aprovação de um projeto que buscava reduzir as penas de Bolsonaro, preso após ser condenado por liderar uma trama golpista, assim como outros condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. A iniciativa foi suspensa pelo Supremo, e ainda não há previsão para que o caso seja analisado pela Corte.

A redução das penas, no entanto, foi criticada pela oposição, que almeja uma anistia ampla que perdoe a pena de Bolsonaro e o libere da prisão. O plano do grupo opositor previa a concessão de um indulto presidencial a Bolsonaro ou a aprovação de uma anistia ampla pelo Congresso.

A ideia original consistia em aplicar uma dessas medidas caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tivesse vencido a eleição presidencial. Contudo, mesmo após a vitória do presidente Lula, Alcolumbre busca um acordo que inclua o petista, visando diminuir a tensão institucional com o bolsonarismo.

Até o presente momento, Lula não foi consultado sobre o assunto por Alcolumbre, e o entendimento é que as conversas ainda estão em estágio inicial.

Embora Flávio Bolsonaro tenha perdido a eleição e deixado o país após a derrota, o PL elegeu a maior bancada do Senado e também a maior da Câmara, com 121 deputados federais, consolidando-se como uma força relevante no Congresso.

Alcolumbre tem se reunido com senadores, integrantes da Câmara e do Poder Judiciário para discutir alternativas para amenizar as tensões entre as instituições. Entretanto, ainda não foi formalizado um acordo sobre como isso será desenvolvido.

Esse grupo também defende o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, considerado um inimigo político pelos bolsonaristas por relatar casos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. O desgaste político de Moraes cresceu após a divulgação de conexões dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

O impeachment de Moraes é uma bandeira defendida por vários senadores bolsonaristas que se elegeram nas disputas de 2026. Além do PL, partidos como PP, Novo e Republicanos também elegeram senadores que tentam articular essa medida contra o ministro.

Apesar disso, a visão predominante é de que Alcolumbre não trabalhará para afastar o ministro, que é seu aliado na Corte. A tentativa de aceno ao bolsonarismo também é uma forma de aliviar a pressão sobre Moraes.

Alcolumbre aposta em uma aliança com senadores de partidos do Centrão próximos a ele, ao PT e a outras siglas da base de Lula, como PSB e PDT, para assegurar sua permanência no cargo, o que lhe garantiria uma base de 33 parlamentares.

Esse número é ligeiramente superior aos 31 senadores que o PL e o Novo, que rejeitam qualquer acordo com Alcolumbre, terão a partir do próximo ano. O cenário é desafiador para o presidente do Senado, já que também estarão em disputa os votos das bancadas do PP, Republicanos, Podemos e PSDB, totalizando 16 parlamentares.

Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) tentam viabilizar candidaturas à presidência do Senado. Para se fortalecer, Alcolumbre conquistou o apoio da federação União Brasil-PP, que inclui Tereza Cristina entre seus membros.

Apesar do apoio da cúpula dos partidos, a ala de oposição da federação hesita em apoiar Alcolumbre. Após a divulgação do apoio a Alcolumbre, Derrite declarou que não apoiaria o presidente do Senado, afirmando que apoiaria o nome que a oposição escolhesse, mencionando Marinho e Tereza.