Poder e Governo

Governo Milei afirma que não havia impedimento legal para ingresso de Flávio no país

Polícia Federal desconhece a rota utilizada pelo senador para deixar o Brasil

Agência O Globo - 28/10/2026
Governo Milei afirma que não havia impedimento legal para ingresso de Flávio no país
O presidente da Argentina, Javier Milei. - Foto: Reprodução / Instagram

O governo argentino sinalizou apoio à fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e indicou que houve uma atuação para tal. A Direção Nacional de Migrações do governo da Argentina afirmou que não havia impedimento legal para o ingresso do senador no país. O diretor nacional de Comunicação Digital, Juan Pablo Carreira, declarou que o governo de Javier Milei é o mais corajoso da história.

"Flávio Bolsonaro está a salvo das garras do comunismo que querem meter presos a todos os opositores, e agora vai poder seguir a luta desde os Estados Unidos em vez de uma cela em Brasília, como o pai dele", escreveu Juan na rede social X.

O departamento publicou uma nota durante a madrugada, informando que Flávio entrou na Argentina às 22h50 pela fronteira da Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, junto com sua mulher e duas filhas.

"Ele entrou com documentação de viagem válida, sem qualquer impedimento legal. Além disso, os trânsitos foram registrados pela autoridade competente sem incidentes", afirmou. O senador utilizou seu passaporte italiano para entrar na Argentina. Em seguida, embarcou rumo a Guayaquil, no Equador, e depois para Miami, nos Estados Unidos, onde chegou na manhã desta quarta-feira.

Juan enfatizou que Flávio "não está condenado, não tem mandado de prisão nem alerta vermelho da Interpol; entrou e saiu do país de maneira totalmente legal".

Veículos de imprensa argentinos, como o La Nación, noticiaram que Santiago Caputo, assessor direto do presidente, esteve no aeroporto de Puerto Iguazú como contato oficial com Flávio.

A Polícia Federal ainda não sabe qual foi a rota feita por Flávio para deixar o país. Uma ação de aliados na última terça-feira, incluindo familiares como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que também está nos EUA, ajudou a despistar a fuga de Flávio. Enquanto a imprensa noticiava que ele já havia deixado o Brasil, ele ainda estava em solo brasileiro.

Na segunda-feira, o senador foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes em 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da própria PF. No mesmo despacho, Moraes proibiu Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz.

Os dois estão sendo investigados em um inquérito na Corte por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro. Tomaz está fora do país desde agosto, segundo a PF.

Na ocasião, Flávio gravou um vídeo afirmando que não fugiria. Entretanto, não entregou os passaportes e acabou fugindo no dia seguinte, tendo seus passaportes cancelados após a notícia de sua fuga.

Ainda na terça-feira, o governo americano já havia indicado que concederia vistos de entrada para Flávio e sua família. Questionado, o presidente americano Donald Trump afirmou que permitiria a entrada dos Bolsonaros nos Estados Unidos por serem “pessoas decentes” e descreveu a eleição de domingo como “terrível”. Os Estados Unidos estariam cientes da fuga planejada de Flávio do Brasil.