Poder e Governo
PT oficializa apoio a Motta e presidente da Câmara reúne 15 partidos para buscar recondução, isolando PL
Decisão do partido ocorreu no dia seguinte de encontro entre Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre
O PT oficializou nesta terça-feira o apoio a Hugo Motta (Republicanos-PB) na recondução à presidência da Câmara dos Deputados, fazendo com que o parlamentar tenha o endosso de 15 partidos, o que aumenta o isolamento do PL.
A bancada do partido deliberou pelo apoio a Motta em reunião realizada por volta da tarde. O encontro reuniu os deputados com mandato e também aqueles que foram eleitos e tomarão posse a partir do próximo ano. Um anúncio oficial foi feito à tarde, junto com o PC do B. Motta se reuniu com os parlamentares na Câmara.
A oficialização do apoio do PT a Motta ocorre um dia após o presidente da Câmara se encontrar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao final do encontro, as três autoridades divulgaram uma fotografia em que aparecem de mãos dadas. Aliados afirmam que o encontro foi descrito como muito positivo. Dois interlocutores mencionaram que o apoio de Lula à candidatura deles foi sacramentado.
O presidente terá dificuldades no Congresso a partir do próximo ano, diante do crescimento do PL e da direita bolsonarista nas duas Casas. A aproximação com os dois parlamentares é considerada estratégica, segundo aliados do petista, para garantir uma interlocução com a cúpula do Congresso e conseguir destravar votações de interesse do Palácio do Planalto.
Com esse apoio, Motta avança e consolida ainda mais a sua reeleição. No entanto, a adesão dos partidos não implica necessariamente um apoio automático de todos os deputados —o voto é secreto.
O ex-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) indicou aos presidentes de partidos do centro que não apoiaria a recondução de Motta, criticando a aproximação dele com Lula. Nas últimas semanas, Motta manifestou publicamente seu apoio à reeleição do presidente, participou de atos a favor do petista na Paraíba e posou para fotos usando boné vermelho com o nome de Lula.
Após a derrota de Flávio, integrantes do PL que antes demonstravam disposição para disputar o cargo agora recuam. O líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou a interlocutores que não deverá mais ser candidato. O nome do vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), também era considerado.
O movimento de Motta pavimenta sua recondução, já que ele conta com o apoio de partidos da esquerda e do centro: União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT, PSB e PV. Um dos principais movimentos que ajudou Motta foi a decisão do líder do PSD, Antonio Brito (BA), de declarar apoio a ele. Brito, que transita entre a esquerda e a direita, era considerado um potencial adversário. Ele chegou a se lançar candidato em 2024, mas recuou após Motta conseguir apoio de grande parte dos partidos em torno do seu nome.
No primeiro mandato, Motta teve apoio de quase todos os partidos, do PT ao PL, mantendo um equilíbrio entre as demandas dos dois grupos. A relação com o Palácio do Planalto teve altos e baixos, mas, neste ano, o parlamentar se aproximou de Lula.
O foco do PL agora deve ser viabilizar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), que foi coordenador-geral da campanha de Flávio à Presidência, para derrotar Alcolumbre. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-CE), diz que a bancada no Senado deverá se reunir na próxima semana para deliberar sobre a posição que tomará na disputa. Nos bastidores, no entanto, o apoio do PT é dado como certo.
Alcolumbre, por sua vez, conseguiu apoio nesta terça-feira da federação União Brasil-PP, num movimento que escanteou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra de Jair Bolsonaro (PL) e ensaiava lançar seu nome na disputa. Trata-se do primeiro anúncio de apoio de um partido ao nome do atual presidente do Senado.
O PL contará com a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 28 parlamentares, e buscará um nome para fazer frente a Alcolumbre. Além disso, há senadores bolsonaristas em outras legendas que já indicaram que não votarão a favor de Alcolumbre. A principal queixa é que ele não iniciará processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma bandeira de parlamentares bolsonaristas.
Em nota, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, afirmam que a continuidade da liderança de Alcolumbre "contribui para a estabilidade institucional e o equilíbrio político de que o Brasil precisa para seguir avançando nas pautas de interesse da população".
"A experiência de Davi Alcolumbre na condução do Senado Federal e do Congresso Nacional, especialmente em momentos de grandes desafios políticos, reafirma sua capacidade de promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Parlamento e a harmonia entre os Poderes", conclui a nota.
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