Poder e Governo

Principal novidade na Esplanada de Lula, Ministério da Segurança tem nomes cotados; saiba quais

Além do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, também são considerados nomes como Rui Costa e Camilo Santana, ambos ex-governadores da Bahia e do Ceará, respectivamente

Agência O Globo - 27/10/2026
Principal novidade na Esplanada de Lula, Ministério da Segurança tem nomes cotados; saiba quais
Lincoln Gakiya - Foto: Reprodução

A criação do Ministério da Segurança Pública desponta como a principal novidade da Esplanada no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Prometida pelo presidente para ampliar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado, a nova pasta já tem nomes cotados para o comando, entre eles o do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por sua atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre aliados de Lula, também são considerados nomes como Rui Costa e Camilo Santana, ambos ex-governadores da Bahia e do Ceará, respectivamente, por terem um discurso mais duro de combate à criminalidade dentro do PT e estarem próximos ao presidente.

Interlocutores do presidente afirmam que nenhum nome foi sondado para a função até o momento, mas que já há perfis sendo considerados internamente. De acordo com aliados, Lula pretende dar peso institucional e protagonismo ao tema no seu quarto mandato, além de manter o tom mais duro de combate ao crime, semelhante ao que adotou durante a campanha eleitoral. No segundo turno, Lula chegou a usar o lema: "Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão."

A criação da pasta é uma promessa de campanha de Lula e depende da aprovação da PEC da Segurança no Senado, projeto que é uma das prioridades do governo para ser apreciada até o final do ano, que estabelece novas funções ao governo federal para gestão da segurança pública. A partir disso, também seria discutido um orçamento específico para a pasta. Assim, a área da segurança pública seria desmembrada do Ministério da Justiça, que se tornaria uma pasta independente.

Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, Gakiya tem duas décadas de atuação no combate ao crime organizado e vem sendo considerado para o cargo. Defensores do seu nome apontam que sua escolha mostraria que Lula está disposto a dar uma resposta forte ao combate ao crime organizado.

Gakiya é considerado o maior especialista em combate ao PCC no país. Em 2019, enquanto o governo de São Paulo hesitava por medo de uma reprise do terror dos atentados de 2006, Gakiya decidiu agir sozinho para isolar a cúpula da facção no sistema penitenciário federal. Sem apoio formal do governador ou do procurador-geral, protocolou o pedido de transferência de Marcola e outros 21 líderes. Um ato que ele mesmo classifica como seu "decreto irreversível de morte". Hoje, sua escolta rivaliza com a de governadores e presidentes.

O senador eleito Rui Costa e o senador Camilo Santana também são cotados por terem experiência administrativa e pela proximidade com Lula. Não há consenso no nome de Gakiya no entorno de Lula e interlocutores citam a necessidade de que o ministro de uma área tão sensível como essa já tenha sido testado por Lula, com o argumento de que o ministério será cobrado publicamente por resultados e precisará ter uma marca própria de gestão. Aliados afirmam que Lula tem simpatia pela trajetória de Gakiya, mas não tem convívio com ele.

Tanto Camilo quanto Rui Costa adotam um tom acima do PT no combate à criminalidade e defendem ações mais duras para enfrentar bandidos. Ambos também tiveram influência na modulação do discurso de Lula ao longo dos últimos tempos, na defesa do endurecimento de penas e recentemente atuaram para que Lula afirmasse publicamente ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos para crimes hediondos, o que ocorreu em entrevista ao Jornal Nacional, no segundo turno da campanha presidencial:

— Em todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade penal (...) Eu acho que a sociedade brasileira inteira é a favor — disse Lula.