Poder e Governo
Seguranças tentam contato com Flávio Bolsonaro sem sucesso
Policiais legislativos não conseguiram contato com o senador nesta terça-feira
Policiais legislativos responsáveis pela segurança de Flávio Bolsonaro (PL) informaram a seus superiores que não conseguiram contato com o senador na manhã desta terça-feira, após deixá-lo em sua residência, em Brasília, no fim da tarde do dia anterior. A equipe também não recebeu a agenda do parlamentar para o dia seguinte, como costumava ocorrer ao fim do expediente. Os agentes permanecem na capital federal e disseram desconhecer seu paradeiro.
A escolta não pernoita na casa do senador, no Lago Norte, em Brasília. Normalmente, os policiais recebem a programação do dia seguinte com antecedência, para organizar os horários e deslocamentos. Na segunda-feira, porém, encerraram o expediente sem receber essas informações.
O GLOBO procurou o Senado Federal, mas não obteve resposta até a data desta publicação.
O episódio ocorre em meio às informações recebidas por aliados de que Flávio deixou o Brasil após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Integrantes da campanha também afirmam que foram surpreendidos pela notícia e que não conseguiram contato com o senador.
Nesta terça-feira, Flávio deveria entregar seus passaportes à Polícia Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi adotada em meio às investigações envolvendo o parlamentar.
Segundo os investigadores, não há nenhum registro formal de saída de Flávio do Brasil — ou seja, ele não teria passado por nenhum posto de imigração. Procurada, a defesa do parlamentar ainda não se pronunciou sobre a saída do país.
A possibilidade de deixar o país após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a ser discutida por Flávio com aliados ainda no domingo. A princípio, o senador havia decidido que apenas a mulher e as filhas viajariam ao exterior, por questões de segurança, segundo interlocutores. A avaliação mudou depois que Moraes determinou a entrega dos passaportes à Polícia Federal sob risco de fuga. Contrariado com a decisão e convencido de que poderia ser preso, Flávio teria decidido acompanhar a família.
Alvo de inquéritos
Flávio é alvo de dois inquéritos no STF. Em um deles, sob relatoria de Moraes, a PF apura suspeitas de participação do senador em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, que está fora do país desde agosto, segundo a PF. O senador também é alvo de uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de seu pai que contou com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
Na segunda-feira, Flávio foi intimado por agentes da PF a apresentar o seu passaporte num prazo de até 24 horas, por ordem de Moraes. A determinação foi descumprida pelo parlamentar. Em vídeo publicado em suas redes sociais, o parlamentar disse ter sido abordado no meio da rua, após deixar o condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição — afirmou Flávio, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Na ocasião, negou que tivesse intenção de deixar o país:
— Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar — declarou ele.
Na sexta-feira passada, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país. A entrevista foi dada a um programa dos Estados Unidos, onde ele mora, antes do resultado das urnas que mostrou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza — disse Eduardo, que na mesma entrevista afirmou que, em caso de derrota, o irmão deveria contestar o resultado das urnas.
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