Poder e Governo
Lula vota no ABC Paulista em sua última disputa presidencial
Acompanhado da esposa e do vice, Lula criticou adversário e se mostrou confiante na vitória.
Em sua última corrida como candidato ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou seu voto às 10h01 na manhã deste domingo (25) em São Bernardo do Campo (SP), sua base política histórica. O chefe do Executivo federal chegou à seção eleitoral sob forte esquema de segurança.
Lula estava acompanhado de sua esposa, Janja, do vice de sua chapa, Geraldo Alckmin (PSB), do ex-ministro Fernando Haddad e de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Logo após votar, Lula atendeu a imprensa e falou sobre a disputa apertada contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
— O povo foi para a rua para defender suas conquistas. Eu, ganhando essas eleições, vou dizer para vocês que só devo a minha eleição ao povo brasileiro, que foi efetivamente um exército da democracia. Nunca vi tanta mulher, tanto homem, tanto jovem, chorando e clamando por democracia e clamando por liberdade. Nunca imaginei disputar uma eleição com uma pessoa desqualificada moralmente, eticamente, pessoalmente. Nunca imaginei disputar a eleição com um miliciano que não faz o menor esforço para contar uma verdade. É impressionante a aptidão dele para mentir. Mesmo que ele possa saber da verdade, ele foi educado para mentir. Para mentir as coisas mais grotescas possíveis. Estou convencido que o povo brasileiro jamais permitirá que um miliciano ocupe o Palácio do Planalto — afirmou Lula.
O presidente voltou a mencionar a dualidade entre eleitores que prezam pela democracia e aqueles que, segundo ele, apoiam um projeto de governo extremista.
— Se a gente quer um Brasil que distribua milhões de livros didáticos nas escolas, se a gente quer um Brasil que distribua a possibilidade de comprar 1 milhão de armas, se a gente quer um Brasil que distribua livros para as crianças, um país em que se vende 1 bilhão e 100 milhões de balas, é isso que está em jogo — disse.
O presidente afirmou que, ao longo da vida, sempre esteve pronto para o próximo embate, ainda que não alcançasse o resultado esperado.
— Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o partido dos outros, exercemos a democracia em sua plenitude. É isso que eu fiz a vida inteira, ganhando ou perdendo, a gente acata o resultado e se prepara pro próximo embate — afirmou.
Para chegar competitivo a este domingo, a campanha petista desenhou uma estratégia dupla nas últimas 48 horas. No sábado, o presidente encerrou suas agendas com forte apelo popular, realizando uma caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro, e um grande ato na Avenida Paulista, em São Paulo, focado em reduzir a abstenção de seus eleitores.
Já no ambiente digital, a equipe de Lula contou com a força do canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado por André Janones, para combater a militância adversária. A estratégia nas redes vem tentando desconstruir declarações da equipe econômica do PL e alertar para supostos riscos ao programa de transferência de renda caso o adversário saísse vencedor.
Cenário eleitoral mais acirrado desde 2006
O presidente chega às urnas enfrentando a disputa mais apertada das últimas duas décadas, com uma distância que não era vista desde as eleições de 2006. As pesquisas de véspera divulgadas no sábado pelos institutos Quaest e Datafolha mostraram o mesmo cenário: um empate técnico no limite da margem de erro.
Nos dois levantamentos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) marcou 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. O cenário mostra uma compressão em relação a disputas anteriores — em 2014, a diferença na véspera era de quatro pontos entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, mesma margem vista entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022.
Considerando os votos totais da pesquisa Quaest (que incluem brancos e nulos), a distância é ainda menor: 46% para o candidato do PL contra 45% do petista. A rejeição do presidente manteve-se estável em 47%. O instituto utilizou o modelo de likely voter, que calcula as chances reais de comparecimento do eleitor para refinar o resultado.
Após o compromisso no ABC paulista, o presidente retorna à capital do estado. Ele acompanhará a marcha da apuração a partir do final da tarde no Hotel Intercontinental, cercado por ministros e dezenas de aliados mais próximos, de onde fará seu pronunciamento oficial sobre o resultado das urnas.
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