Poder e Governo

Chuva não impede eleitores de chegar cedo e formar filas nos locais de votação no Rio

Após alto índice de votação no primeiro turno, eleitores cariocas vão às urnas escolher presidente

Agência O Globo - 25/10/2026
Chuva não impede eleitores de chegar cedo e formar filas nos locais de votação no Rio
Chuva não impede eleitores de chegar cedo e formar filas nos locais de votação no Rio - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A chuva na manhã deste domingo (25) não desanimou os eleitores, que chegaram às zonas eleitorais antes mesmo da abertura dos portões. Em diversos locais de votação do estado, já havia filas antes das 7h. No ExpoRio, antigo Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova, cerca de dez pessoas aguardavam a abertura. Já na Escola Municipal Senador Nelson Carneiro, localizada na Rua Hilda Alves Pinheiro, em Queimados, aproximadamente 80 eleitores esperavam para votar às 7h40.

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Sexto maior local de votação do estado, o espaço reúne 10.761 eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Primeiro a chegar, o estudante Júlio César Souza, de 38 anos, repetiu a estratégia do primeiro turno para votar sem complicações.

— Vim votar pelo legado. Alguns dizem que ele não fez nada, mas, para mim, fez alguma coisa — diz o eleitor de Lula, que esperou cerca de 15 minutos para votar em 4 de outubro.

Também entre os primeiros da fila estava o empresário Jânio Domingos, de 46 anos. Eleitor de Bolsonaro, ele se disse ansioso para entrar na cabine de votação.

— O que determinou meu voto foi a vontade de mudança, sem dúvidas. Já foi muito tempo de PT — conta.

Com um casaco enrolado na cabeça para se proteger da chuva, a aposentada Osmarina de Castro, de 81 anos, conta que faz questão de manter o título de eleitor regular, especialmente porque costuma viajar para visitar os filhos, que moram no exterior.

— Meus filhos moram fora, então preciso votar porque, se não, não viajo — diz. — Sou Lula até morrer, porque sinto que ele trabalha melhor pela gente, os mais pobres.

Aos 78 anos, o também aposentado Álvaro Tavares não perde uma eleição. Para ele, o desinteresse e a desesperança com a política são alguns dos motivos que explicam a alta taxa de abstenção entre pessoas com mais de 70 anos, que chegou a 58% no Rio de Janeiro no primeiro turno, a maior do país nessa faixa etária. Mesmo com o voto facultativo, ele enfrentou a chuva para comparecer às urnas. Diz que vota na expectativa de renovação.

— Vou de Bolsonaro porque quero mudança — diz.

Entre os que aguardavam a abertura da votação também estava uma eleitora que não conseguiu votar no primeiro turno. A copeira hospitalar Cláudia Siqueira, de 60 anos, conta que chegou ao local de votação três minutos depois do encerramento, em 4 de outubro.

— Eu morava aqui, agora estou morando em Irajá. Vim do hospital, mas não deu tempo, cheguei três minutos atrasada e não pude entrar — conta.

Desta vez, Cláudia chegou antes das 8h. Embora tenha ficado indecisa sobre o voto no segundo turno, afirma que o debate da TV Globo a ajudou a definir seu candidato à Presidência.

— Eu sempre votei no Lula, mas tive mais certeza depois do que ouvi. Acho que ele está bem coerente — diz.

Guarda-chuvas abertos e paciência em Queimados

Sob guarda-chuvas e com paciência, os eleitores de Queimados, na Baixada Fluminense, começaram o domingo de segundo turno. Às 7h40, cerca de 80 pessoas já aguardavam a abertura dos portões da Escola Municipal Senador Nelson Carneiro. No primeiro turno, a espera no local chegou a três horas, segundo eleitores, e muitos decidiram sair de casa ainda de madrugada para evitar a demora.

A primeira da fila era a dona de casa Josefa Maria de Souza Silva, de 70 anos, que saiu de casa por volta das 5h15 e chegou ao local antes das 6h, depois de uma caminhada de cerca de dez minutos. No primeiro turno, ela foi a terceira a chegar e, mesmo assim, ficou cerca de uma hora e meia na espera. Na cabine, enfrentou outra dificuldade. Mesmo não sendo obrigada a participar da eleição por causa da idade, ela diz que vale a pena voltar:

— Pra votar eu me enrolei, porque era muita coisa. Eu não sei ler. Mas aí eu fui devagar e consegui — contou. — Eu gosto. Eu quero mudança. Quanto mais se unir, coisas boas acontecem.

A demora no primeiro turno também explica a fila precoce deste domingo. Moradora do entorno, Jennifer Dias, de 28 anos, chegou às 8h no primeiro turno e só deixou a escola por volta das 11h. Segundo ela, a entrada nas seções era liberada apenas para o atendimento preferencial, quando o correto seria alternar um eleitor com prioridade e outro sem. A fila só voltou a andar depois que os eleitores reclamaram.

— Por isso cheguei mais cedo. Senão eu não saio daqui — afirmou.

Valéria Souza, de 54 anos, que trabalha num bar e mora ao lado da escola, esperou cerca de duas horas no primeiro turno. Ela conta que a votação travou na sua seção porque eleitores que não sabiam ler precisaram de mais tempo diante da urna.

— Ficou uns 40 minutos um idoso que não sabia, aí o outro menino não sabia ler nem escrever — relatou.

A votação vai das 8h às 17h, e os eleitores fluminenses escolhem apenas o presidente da República. O transporte coletivo é gratuito durante o dia, e Queimados está entre os 15 municípios do estado que recebem reforço das Forças Armadas, de acordo com o TRE-RJ.