Poder e Governo

Nove dedos e lambendo Trump: Flávio e Lula se atacam em debate da Globo

Candidatos do PT e do PL aparecem empatados tecnicamente nas pesquisas e participam de encontro decisivo a dois dias da eleição

Agência O Globo - 24/10/2026
Nove dedos e lambendo Trump: Flávio e Lula se atacam em debate da Globo

Embora o primeiro bloco do debate da Globo seja de temas específicos, os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques. Em declaração preconceituosa sobre o acidente que fez o petista perder um dedo quando era metalúrgico, o vencedor do primeiro turno o chamou de "nove dedos". Depois, debochou da rouquidão do presidente, que teve câncer na garganta.

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O presidente aproveitou um outro momento do bloco seguinte para responder:

— Se tem alguém aqui que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu um dedo com 17 anos fui eu, trabalhando à noite quando não podia trabalhar. Não vou permitir que um "miliciano" me chame de nove dedos — afirmou. — Ele nunca trabalhou na vida, não sabe o que é uma carteira profissional. O primeiro emprego que ele teve foi um emprego falso pelo pai dele.

Por ter sido chamado de miliciano, Flávio também ganhou um direito de resposta, mas não aproveitou o tempo para rebater o xingamento. Usou o minuto para falar sobre a causa pet.

Em outro momento, o candidato do PT disse que Flávio estava "lambendo o Trump" para que o presidente dos Estados Unidos taxasse o Brasil.

Durante o primeiro bloco, os dois conseguiram escapar em alguns momentos dos temas e das regiões do país que deveriam debater para entrar em outras pautas, como o custo de vida. Quando deveria perguntar sobre o Sudeste, por exemplo, Lula fez uma questão sobre salário mínimo.

Ao contrário do debate da Band, quando foi muito agressivo, Flávio passou a priorizar na Globo a tentativa de elencar promessas. A reação de Lula foi alegar, em várias oportunidades, que o adversário "não conhece o Brasil".

— Acho que ele só ouviu falar de Manaus e da região Norte quando o pai dele apareceu na televisão (na pandemia) rindo e imitando uma pessoa morrer asfixiada porque não tinha oxigênio — acusou.

Em um dos embates mais marcantes da noite, Flávio entrou no tema da segurança pública e elencou promessas na área. Na resposta, Lula citou a presença na plateia da mãe da menina Ana Clara, de 5 anos, morta numa comunidade do Rio pelo tiro de um policial que foi defendido depois pelo candidato do PL, que é advogado.

Ao responder, o filho de Jair Bolsonaro acabou chamando a mãe pelo nome da filha, "senhora Ana Clara", e disse que a situação da morte "era uma troca de tiros, a senhora sabe que tem o crime organizado aí".

O bloco final, de tema livre, acabou sendo o que mais emulou o debate anterior, marcado por ataques incessantes. Eles trocaram acusações sobre escândalos como os casos Master e Lulinha.

O contexto do debate

Tradicionalmente um momento decisivo das eleições, o encontro na Globo se dá no contexto de uma disputa acirrada e imprevisível. No último domingo, Lula e Flávio estiveram frente a frente pela primeira vez, na Band.

As pesquisas dos últimos dias mostram empate técnico entre o petista e o bolsonarista, embora Flávio ainda tenha vantagem numérica. Quando se consideram os votos totais, ele aparece com 45% na Quaest, contra 44% de Lula. No Datafolha, o placar é de 47% a 46%.

Alguns dados adicionais deixaram o cenário ainda mais indefinido. Na Quaest, o percentual de indecisos na modalidade espontânea, aquela em que o entrevistado não é apresentado ao nome dos candidatos, dobrou de 7% para 14%.

Debates são considerados fundamentais justamente para esse tipo de eleitor, que ainda está em dúvida.