Poder e Governo

Flávio Bolsonaro desautoriza Zé Trovão por ação que questionou reajuste de Lula no Bolsa Família

Ministro André Mendonça rejeitou pedido de deputado sem analisar legalidade do aumento do benefício

Agência O Globo - 18/09/2026
Flávio Bolsonaro desautoriza Zé Trovão por ação que questionou reajuste de Lula no Bolsa Família
Flávio Bolsonaro - Foto: © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

O candidato à Presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro, afirmou não concordar com a atitude de seu correligionário Zé Trovão (PL-SC) de acionar a Justiça contra o aumento de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou, nesta quinta-feira, a ação apresentada pelo deputado e candidato à reeleição para tentar impedir o reajuste.

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Míriam Leitão:

Mendonça extinguiu o processo sem analisar o mérito, considerando que o parlamentar não tinha legitimidade para apresentar a representação. Durante uma live semanal, Flávio afirmou, sem citar Zé Trovão, aos apoiadores que não pediu pela medida.

— Quero dizer que houve um deputado que acionou a Justiça para tentar barrar esse reajuste. Não foi com a minha autorização. Não concordo com isso. Ele não deveria ter entrado com a ação, mas entrou. Fez isso por conta própria. Não fui eu que pedi que ele fizesse isso — destacou.

Zé Trovão havia recorrido ao TSE para tentar suspender o aumento, que elevava o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777, com implementação prevista para outubro. O parlamentar alegava que a ampliação dos pagamentos poderia configurar uma conduta vedada pela legislação eleitoral.

O pedido era para que Lula se abstivesse de implementar o reajuste e mantivesse os valores anteriores do programa até o julgamento definitivo da ação ou, alternativamente, até o fim do processo eleitoral.

No entanto, Mendonça não chegou a analisar os argumentos sobre a legalidade do aumento. O ministro afirmou que a jurisprudência do TSE exige que, quando uma representação é apresentada por um candidato, ele concorra na mesma circunscrição eleitoral daquele contra quem é dirigida a ação.

No caso, Zé Trovão disputa uma vaga de deputado federal por Santa Catarina, enquanto Lula é candidato à Presidência. Mendonça lembrou que a eleição para deputado está vinculada à respectiva unidade da Federação, enquanto a circunscrição da eleição presidencial abrange todo o território nacional.

O ministro citou um precedente de 2023, relatado por Cármen Lúcia, no qual o TSE concluiu que a condição de candidato a deputado federal não dá legitimidade para apresentar representação contra um candidato à presidência da República. Para Mendonça, o mesmo entendimento deve ser aplicado mesmo que, desta vez, a discussão envolva uma suposta conduta vedada a agente público.

Mendonça fez questão de registrar que sua decisão não representa uma conclusão do TSE sobre a legalidade do reajuste. Segundo ele, a existência ou não de uma conduta vedada é uma questão de mérito que só poderá ser examinada caso a Justiça Eleitoral seja provocada por uma parte com legitimidade para fazê-lo.

Até o trânsito em julgado da ação, quando se encerram as possibilidades de recurso, Mendonça ficará prevento para relatar eventuais novas ações que questionem o reajuste do Bolsa Família.

A ação de Zé Trovão sustentava que o reajuste, além de ter sido anunciado durante o período eleitoral, não teria execução orçamentária correspondente no ano anterior. Na argumentação apresentada ao TSE, Zé Trovão afirmou que a medida representaria uma ampliação extraordinária do programa, e não apenas sua continuidade, e, por isso, não estaria abrangida pela exceção prevista na Lei das Eleições para programas sociais já em execução orçamentária no exercício anterior.