Poder e Governo

Paes diz que aliados políticos serão vigiados se eleito e justifica elogios a Bacellar

Em entrevista ao RJ1, o candidato ao governo do Rio também foi questionado sobre a filiação do ex-vereador Ulisses Marins ao PSD, político que denunciou por ter tentado impedir a demolição de um imóvel ligado ao traficante Peixão

Agência O Globo - 16/09/2026
Paes diz que aliados políticos serão vigiados se eleito e justifica elogios a Bacellar
Eduardo Paes (PSD) - Foto: Reprodução / Instagram

O candidato ao Governo do estado Eduardo Paes (PSD) afirmou que, se eleito, os aliados políticos que participarem de sua gestão serão "vigiados" por uma secretaria de integridade. Durante a sabatina no RJ1, da TV Globo, o ex-prefeito precisou ainda justificar o apoio que recebeu de políticos que integraram o governo de Cláudio Castro, como o ex-secretário estadual de transporte Washington Reis, a família Cozzolino, o Dr. Luizinho, e políticos do União e do Solidariedade.

— Governei quatro vezes o Rio de Janeiro e sempre venci a eleição com alianças e estou fazendo nessa também. Abro espaços políticos, no meu governo agora na prefeitura tinha. (...) Quero reiterar aqui o meu pedido de apoio a todos os políticos do Rio de Janeiro que entendem que há uma necessidade de reconstruir o estado e quero dizer a eles que no meu governo funciona diferente. Vocês não vão nomear comandante de batalhão, não vão nomear delegado de polícia, não vão exercer funções de Estado, vocês serão vigiados por uma secretaria de integridade. Vocês terão um governador que sabe delegar sem largar — prometeu.

A filiação do ex-vereador Ulisses Marins ao seu partido, PSD, também foi questionada, já que o ex-prefeito do Rio havia denunciado o político por ter tentado impedir a demolição de um imóvel ligado ao traficante Peixão. Paes relembrou o episódio da acusação, mas não fez juízo de valor sobre a decisão da legenda de acolher o político. Em junho, Marins foi alvo de uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) por suspeita de ligação com o chefe do TCP e negou as acusações.

Paes também foi perguntado sobre a aliança com o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, que era secretário de Ação Comunitária da prefeitura e depois foi condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. O ex-chefe do Executivo municipal do Rio disse que nomeou Chiquinho por uma indicação do Republicanos quando não havia nenhuma suspeita contra ele. O ex-prefeito garantiu ter retirado o ex-aliado do cargo assim que surgiu a primeira denúncia. Disse ainda que em seus governos, sempre puniu e exonerou quadros denunciados por desvios.

O candidato do PSD precisou ainda explicar porque em março de 2024 fez um elogio público ao então presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, que chamou de "meteoro" e disse não ter dúvidas de que ele continuaria liderando a política fluminense. Na época, o político do União já era investigado pelo escândalo do Ceperj, que depois motivou sua cassação.

— Ele era presidente da Assembleia Legislativa, eu participei de um ato de filiação que todos os políticos do estado estavam presentes. O Rodrigo Bacellar seria meu adversário nessa eleição, vivia me xingando. O Douglas Ruas é o substituto do Rodrigo Bacellar. Como prenderam, prenderam ele por ligações com o Comando Vermelho, botaram o Douglas Ruas. A história é a mesma — destacou.

Sobre sua relação com o ex-governador Sérgio Cabral, Paes disse que era uma parceria profissional, já que os dois foram gestores ao mesmo tempo.

— Ele está condenado e cheio de problemas. Eu era prefeito da cidade do Rio de Janeiro e ele governador do estado, trabalhamos em conjunto como eu trabalhei, aliás, com o Cláudio Castro — garantiu Paes, negando ter visto sinais de corrupção ou mau uso do dinheiro público durante o período em que foi próximo de Cabral: — Tinha uma relação institucional.

Projetos para a Segurança

Ao tratar de seus projetos para a área de Segurança, Paes negou que o anúncio de que o Salgueiro, em São Gonçalo, seria a primeira comunidade a ser ocupada em um eventual governo não tenha relação direta com o seu principal adversário, o candidato do PL Douglas Ruas. Capitão Nelson, pai do rival, é o atual prefeito da cidade da Região Metropolitana.