Poder e Governo

Por que Mendonça e Moraes sentam lado a lado em julgamento do STF?

A lógica é de antiguidade decrescente, com os lados se alternando sempre a partir da direita. Dessa forma, os dois ministros ficam lado a lado em julgamento sobre relação de Moraes e Daniel Vorcaro.

Agência O Globo - 15/09/2026
Por que Mendonça e Moraes sentam lado a lado em julgamento do STF?
Alexandre de Moraes e André Mendonça

O plenário do STF tem uma regra que ninguém discute: as cadeiras seguem cargo e antiguidade, conforme o Regimento Interno da Corte. O presidente da Corte, ocupa o centro. À sua direita senta o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na função de representante do Ministério Público. À esquerda, fica o secretário das sessões.

Siga ao vivo:

Da prisão de Vorcaro à sessão sobre Moraes:

A partir daí, a lógica é de antiguidade decrescente, com os lados se alternando sempre a partir da direita. É nesse esquema que Moraes e Mendonça acabam vizinhos, os dois no lado direito de Fachin: Moraes ocupa a cadeira que foi de Teori Zavascki (ele é o quinto ministro mais recente da casa), enquanto Mendonça, um degrau à frente na antiguidade (terceiro mais recente), herdou o lugar de Marco Aurélio Mello. Kássio Nunes Marques — quarto na lista, sentado onde antes estava Celso de Mello — fica de frente para os dois, do outro lado do plenário. Nada nesse arranjo se altera por causa de um processo ou de uma disputa interna.

Daí a cena de hoje: mesmo com os ânimos exaltados nos últimos dias, Moraes e Mendonça continuam sentados lado a lado.

A origem do atrito é o pedido de investigação contra Moraes, que tramita hoje sob relatoria de Mendonça no caso Master. A base do pedido é um relatório da PF que identificou 187 interações entre o ministro e o ex-banqueiro. O tribunal está rachado: aliados de Moraes querem arquivamento ou adiamento, enquanto a PGR questiona a própria validade do relatório.