Poder e Governo

Discussão entre Fachin e Dino marca sessão sob tensão no STF

Ministros avaliam relatório da Polícia Federal sobre relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro

Agência O Globo - 15/09/2026
Discussão entre Fachin e Dino marca sessão sob tensão no STF
Edson Fachin - Foto: © Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A primeira hora da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro foi marcada por uma tensão perceptível dentro do plenário, com várias cadeiras vazias e uma plateia composta majoritariamente por assessores dos ministros e jornalistas.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, foi uma das poucas autoridades do mundo jurídico presentes e acompanhou o julgamento da primeira fileira, em frente aos ministros.

Enquanto o presidente da Corte, Edson Fachin, lia o relatório, os ministros passaram a maior parte do tempo em silêncio, consultando documentos, lendo ofícios em papel, grifando trechos ou olhando para os computadores. Em um dos raros momentos de conversa, o decano, Gilmar Mendes, falou com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que se sentam lado a lado.

O plenário também estava reforçado por seguranças e agentes da Polícia Judicial.

Os ministros se revezavam entre café, chá e copos de água. Toffoli e Cristiano Zanin preferiram chá, enquanto Gilmar, Kássio Nunes Marques e Fachin tomaram café. Pouco depois das 11h, houve também uma movimentação de ministros para fora do plenário. Às 11h14, Gilmar deixou a sessão acompanhado do chefe de gabinete e de assessores em direção à sala reservada contígua ao plenário. Quatro minutos depois, Flávio Dino também saiu. Dino retornou às 11h21 e Gilmar, dois minutos depois.

Foi a partir daí que a tensão aumentou. Às 11h23, Fachin perguntou aos integrantes da Corte se havia algum impedimento para participar do julgamento. Nunes Marques imediatamente pediu a palavra e, quatro minutos depois, anunciou que não participaria do caso.

Na sequência, Dias Toffoli passou a explicar as circunstâncias de sua saída da relatoria do caso Master, em fevereiro. Às 11h33, quando começava a anunciar que também se declararia suspeito, foi interrompido por um pedido de aparte de Dino, dando início ao momento de maior tensão da sessão até então.

Fachin afirmou que Dino deveria se dirigir à Presidência para pedir a palavra. O ministro respondeu que estava seguindo o Regimento Interno da Corte. Fachin, então, elevou o tom de voz ao responder ao colega. O plenário, até então marcado pela movimentação de assessores e jornalistas, ficou em silêncio absoluto durante a troca entre os dois ministros.

Às 11h37, Nunes Marques deixou o plenário. Toffoli, por sua vez, declarou-se suspeito para participar do julgamento, mas afirmou que permaneceria na sessão.

Minutos depois, um novo episódio aumentou a temperatura do julgamento. Gilmar Mendes passou a ler um ofício enviado por Flávio Dino no qual o ministro questiona a decisão de Fachin de avocar o processo envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes. Enquanto Gilmar fazia a leitura, todos os "capinhas" — como são chamados os auxiliares que atendem os ministros durante as sessões — entraram no plenário para distribuir aos magistrados cópias do documento.