Poder e Governo

Candidata, ex-mulher de Daniel Silveira, se diz alvo de difamação e acusa ex-deputado de agressão e ameaça

Paola Daniel fez registro de ocorrência com crimes desde 2022 e pede medida protetiva

Agência O Globo - 14/09/2026
Candidata, ex-mulher de Daniel Silveira, se diz alvo de difamação e acusa ex-deputado de agressão e ameaça
Paola Daniel (PRD) - Foto: Reprodução / Instagram

Paola Daniel (PRD), atual candidata à Câmara Federal, fez um Registro de Ocorrência (RO) com acusações de ameaça, lesão corporal, violência psicológica e difamação supostamente cometidos por Daniel Silveira, seu ex-marido e ex-deputado federal, que foi preso em 2021 após ameaçar ministros do STF em apoio a Jair Bolsonaro. Segundo Paola, os crimes contra ela começaram em 2022, quando os dois ainda eram casados e ele estava na prisão. Agora, ele, que hoje cumpre a pena em liberdade condicional, não estaria aceitando sua candidatura.

Procurada, a defesa de Daniel Silveira negou as acusações.

O RO, com pedido de medida protetiva, foi registrado na 106 DP, em Petrópolis, onde vivem. Na saída da delegacia, ela afirmou que foi obrigada a vir a público "diante de tantas notícias mentirosas".

— Sei que muitos de vocês gostam do Daniel, mas vocês não o conhecem como homem, conhecem como político. Ele é uma pessoa horrorosa. Diante disso tudo, eu tive que vir aqui. Estou tocando minha campanha tranquila, não toco no nome dele, não falo nada. E mesmo assim ele vem querer me atacar com violência psicológica, violência de tudo que é tipo que vocês não imaginam. Mas a verdade virá à tona — afirmou ela, em um vídeo publicado nas suas redes.

Ameaças começaram por ciúmes

Eles foram casados por 10 anos e se separaram há um ano e meio. Hoje, Daniel Silveira já inclusive vive um outro casamento. Mas, segundo Paola, ele nunca aceitou o término e começou as ameaças em 2022, enquanto estava preso e perseguia-a e suas amigas com acusações de traição.

No registro, Paola diz ter sofrido um tapa no ouvido de Silveira em 2022, pouco antes de sua segunda prisão, que lhe derrubou no chão e deixou um mês com a audição comprometida. Ela não procurou atendimento médico porque temia a repercussão e o comportamento de Silveira, segundo o RO. Nessas ameaças, ele dizia que ela "não era ninguém" e que "se não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém".

As ameaças e a violência psicológica se intensificaram por causa dos ciúmes de Silveira, que alegava estar sendo traído. Paola denunciou que, no final de 2023, ainda na prisão, Silveira teria contratado pessoas para persegui-la e colocar um rastreador em seu carro. Ela descobriu o rastreador, com microfone, em uma oficina.

Paola diz que o ex-marido ligava e enviava mensagens, mesmo dentro da prisão, cobrando informações sobre um suposto amante. "Acho melhor você pensar direito", teria ameaçado Silveira, em uma dessas mensagens.

Paola disse que tentava terminar o relacionamento, mas ele afirmou que cometeria suicídio, como forma de pressão psicológica. Quando ele saiu da prisão, em 2024, eles terminaram. Em seguida, Paola narra que Silveira chegou a ir à casa de seus pais e de sua irmã, como forma de pressão.

Uma testemunha de Paola também foi à delegacia comprovar as ameaças e relatou que recebia ligações e mensagens de Silveira, cobrando informações. Por vezes, ela enviava fotos a ele para provar que estavam na faculdade, e não em alguma festa. Além disso, Paola incluiu os prints no registro.

Difamação por motivos eleitorais

Agora com a campanha eleitoral, Paola afirma que está sofrendo difamação, com ofensas nas redes sociais e na imprensa. Mesmo proibido de usar redes sociais, ela diz que o ex-deputado estaria utilizando o Instagram através de supostas páginas de fãs.

No RO, ela também menciona que ele teria ameaçado o presidente do PRD, afirmando que, caso mantivesse a candidatura dela, ganharia "um inimigo ferrenho". O registro destaca que a atual esposa de Silveira estaria tentando obter registro para porte de arma, uma vez que ele não pode por conta de sua pena.

A campanha difamatória estaria sendo realizada na página "Daniel Silveira Sem Perparatus". Uma publicação nesta segunda (14), com o título "Ela o traiu e o abandonou no presídio", afirma que Paola estaria "comemorando em festa, dançando e bebendo" no dia em que ele voltou à prisão, em 24 de dezembro de 2024. A publicação pede para eleitores não votarem nela, alegando que Paola teria humilhado Daniel Silveira.

Procurada, Paola disse que a página é administrada pelo próprio Daniel Silveira. Ela afirma que essas publicações a motivaram a buscar a polícia.

— O que me motivou a denunciar agora foi a postagem no perfil, que ele diz que é de apoio a ele, mas sei muito bem que é ele que posta. Ele está vendo que minha campanha está crescendo e está inventando mil coisas, inclusive criminosas. Até então eu estava quieta na minha. Sempre quis proteger minha vida privada. Mas ele expôs uma situação mentirosa — explicou Paola, que afirmou ter mais duas testemunhas para fortalecer o registro, enquanto aguarda a definição sobre a medida protetiva.

Paola disse que também possui mais áudios para registrar e mostrou o conteúdo de um enviado por ele a amigas suas enquanto tentava reatar o relacionamento, em que confessa ter traído-a.

— Ele fica todo dia em frente ao meu comitê, querendo me intimidar. Temos vídeos com isso. Ele sempre tenta intimidar — complementou.

Procurada, a defesa de Daniel Silveira afirmou que as acusações não condizem com a realidade e salientou que o relacionamento terminou há um ano e meio, isentando-o de ser responsabilizado por "publicações de terceiros".

Confira a nota:

"A defesa considera extremamente grave a formulação de acusações sem provas e ressalta que eventual imputação consciente e falsa da prática de crime às autoridades competentes poderá, uma vez presentes os requisitos legais, ensejar a apuração das responsabilidades cabíveis, inclusive sob a perspectiva do delito de denunciação caluniosa, previsto no art. 339 do Código Penal.

Além disso, registra-se que o Sr. Daniel não possui ou administra redes sociais, não podendo ser automaticamente responsabilizado por publicações realizadas por terceiros, inclusive em páginas, perfis ou contas criados por apoiadores, admiradores ou quaisquer outras pessoas que utilizem seu nome ou façam referência à sua pessoa, sem que exista prova concreta de sua participação, autorização ou ingerência sobre o conteúdo publicado.

Por fim, a Defesa deixa expressamente consignado que acompanhará atentamente a divulgação de informações relacionadas ao caso e, diante da publicação de conteúdo falso, ofensivo ou que atribua indevidamente ao Sr. Daniel fatos ou condutas sem respaldo probatório, adotará todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para a preservação de seus direitos, de sua honra e de sua imagem.

A Defesa reafirma que acusações dessa gravidade devem ser tratadas com responsabilidade, observância aos fatos e respeito ao devido processo legal, não sendo admissível transformar conjecturas ou manifestações de terceiros em imputações pessoais desprovidas de provas.

Quem é Daniel Silveira

Daniel Silveira é ex-policial militar e ex-deputado federal, eleito em 2018 pelo então PSL. Na época, ficou conhecido por ter participado de um ato em Petrópolis em que rasgou uma placa em homenagem a Marielle Franco, ao lado do deputado Rodrigo Amorim e do ex-governador Wilson Witzel.

Em 2021, Silveira foi preso após publicar um vídeo com ameaças e ofensas a ministros do STF e defesa de medidas de ruptura institucional. Em 2022, foi condenado a oito anos e nove meses de prisão pelos crimes de coação no curso do processo e incitação à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Logo em seguida, o então presidente Jair Bolsonaro concedeu-lhe indulto presidencial, que o tiraria da prisão, mas essa medida foi anulada pelo STF. Silveira perdeu o mandato e, após cumprir períodos em diferentes regimes, atualmente cumpre a pena em regime aberto.