Poder e Governo
TRE do Rio adia análise da candidatura de Rebeca Ramagem à deputada federal
Placar parcial do julgamento está em três a um para o deferimento; relator vota por barrar ida às urnas, afirmando que situação seria um 'tapa na cara no Poder Judiciário'
O Tribunal Regional do Rio adiou o julgamento da candidatura de Rebeca Ramagem (PL) à deputada federal nesta segunda-feira. O resultado parcial está em três votos a um para o deferimento, que depende do pedido de vista da desembargadora Tathiana de Carvalho Costa para ser concluído. Em seu voto, o relator do caso, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, afirmou que aceitar a candidatura de Rebeca seria um 'tapa na cara no Poder Judiciário', considerando que ela é esposa de Alexandre Ramagem (PL), condenado e foragido por participação na trama golpista de 8 de janeiro. No entanto, até o momento, os demais votos foram divergentes ao dele. Desde 2025, Rebeca está morando nos EUA e faz campanha à distância para o cargo.
Confirmação de candidatura
A candidatura de Rebeca foi confirmada como procuradora do estado de Roraima, onde atua como servidora. Ela está superando a marca de oito meses sem trabalhar. Em julho, pediu mais uma licença para se lançar candidata.
Até o momento, a campanha de Rebeca Ramagem tem sido feita à distância, limitando-se a publicações nas redes sociais. No Instagram, ela republica vídeos do marido e aparece em gravações onde fala sobre sua experiência como delegada de polícia, do conflito diplomático entre Brasil e Estados Unidos, além de comentários sobre o combate ao crime. Em uma publicação desta semana, após o início oficial da campanha, Rebeca disse que concorre no lugar do ex-diretor da Abin: 'Meu marido não pode estar nessa disputa. Mas eu posso', escreveu.
Fuga de Ramagem
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em dezembro que Ramagem saiu do Brasil de 'forma clandestina', sem passar por nenhum posto migratório. Ele deixou o país via Guiana, sem passar por nenhum ponto migratório, embarcando do aeroporto de Georgetown para Miami, segundo Rodrigues.
Segundo coluna da Malu Gaspar, do GLOBO, Ramagem chegou a Boa Vista no final da noite de 9 de setembro, dia em que Alexandre de Moraes leu o voto pela condenação dos oito réus do núcleo crucial da trama golpista. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão.
No dia seguinte, já estava na Guiana. No dia 11, pegou um voo direto de Georgetown para a Flórida, em Miami, onde entrou com passaporte diplomático de parlamentar e está até hoje com a mulher e as filhas.
Os investigadores da PF descobriram a fuga de Ramagem quando foram verificar a localização de cada um dos condenados do núcleo crucial do plano golpista – entre os quais estão também Jair Bolsonaro, os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Garnier e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Os seis não fugiram e cumprem pena no Brasil.
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