Poder e Governo

Medo da reeleição de Lula volta a superar numericamente temor da volta dos Bolsonaro, mostra Quaest

Novo mandato do petista é apontado por 44%, ante 42% que temem o retorno da família do ex-presidente; diferença configura empate técnico

Agência O Globo - 14/09/2026
Medo da reeleição de Lula volta a superar numericamente temor da volta dos Bolsonaro, mostra Quaest
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © telegram SputnikBrasil

O medo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se descolou do temor de uma volta da família Bolsonaro ao poder, mostra a nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira. Segundo o levantamento, 44% dos brasileiros afirmam ter mais receio da continuidade do atual governo, enquanto 42% apontam como maior preocupação o retorno do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula lidera pesquisa Quaest de 1º turno

Pesquisa Quaest:

A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos para mais ou para menos. Os dois cenários, portanto, permanecem tecnicamente empatados.

Outros 7% afirmaram ter medo das duas possibilidades. A parcela dos que não temem nenhum dos cenários é de 2%, enquanto 5% não souberam ou preferiram não responder.

Na comparação com a rodada divulgada há uma semana, o medo de um novo mandato de Lula oscilou de 43% para 44%. O temor da volta dos Bolsonaro passou de 43% para 42%. As duas variações ocorreram dentro da margem de erro.

Indicadores estavam empatados

A série histórica mostra uma redução gradual da vantagem que Lula mantinha nesse indicador. Em janeiro, 46% temiam mais a volta da família Bolsonaro, enquanto 40% apontavam um novo mandato do petista.

Em março, o medo da reeleição de Lula chegou a superar numericamente o temor do retorno dos Bolsonaro, por 43% a 42%. Os indicadores voltaram a se inverter nos meses seguintes. Em julho, 46% temiam mais a família do ex-presidente no poder, contra 38% que apontavam a continuidade de Lula.

Em 14 de agosto, a diferença havia diminuído para quatro pontos: 45% temiam a volta dos Bolsonaro e 41%, a reeleição do petista. Na primeira pesquisa de setembro, os índices passaram a marcar 43% cada. Agora, o medo da continuidade de Lula assume novamente a dianteira numérica, por 44% a 42%, embora os dois percentuais continuem tecnicamente empatados.

Divisão por região

O resultado nacional esconde diferenças acentuadas entre as regiões. No Nordeste, 56% têm mais medo da volta da família Bolsonaro, ante 33% que apontam um novo governo Lula. Outros 5% temem as duas possibilidades, 4% não responderam e 2% não têm medo de nenhuma.

No Sudeste, o cenário se inverte: 47% temem mais a reeleição de Lula, enquanto 37% apontam a volta dos Bolsonaro. No Sul, a distância é ainda maior, com 51% de temor de um novo mandato petista e 36% de receio do retorno da família do ex-presidente.

No Centro-Oeste e no Norte, considerados conjuntamente pela pesquisa, 48% têm mais medo da continuidade de Lula, contra 37% que apontam os Bolsonaro.

Jovens e idosos em lados opostos

O medo também se inverte conforme a idade. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 47% temem mais um novo mandato de Lula e 38%, a volta da família Bolsonaro. Na faixa de 35 a 59 anos, os índices são de 44% e 42%, respectivamente.

Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, o quadro é o oposto: 48% apontam como maior receio o retorno dos Bolsonaro ao poder, enquanto 37% temem a continuidade do petista.

A divisão também aparece entre homens e mulheres. No eleitorado feminino, há empate numérico, com 42% para cada cenário. Entre os homens, 46% temem mais a reeleição de Lula, e 41%, a volta dos Bolsonaro.

Escolaridade e renda

Entre os eleitores com Ensino Fundamental, 50% têm mais medo da família Bolsonaro no poder, ante 35% que apontam um novo governo Lula. Já entre aqueles com Ensino Médio, 49% temem mais a continuidade do petista e 37%, o retorno dos Bolsonaro.

A diferença aumenta no grupo com Ensino Superior: 52% demonstram maior receio da reeleição de Lula, enquanto 38% apontam a volta da família do ex-presidente.

O mesmo movimento aparece no recorte por renda. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, 50% temem mais o retorno dos Bolsonaro e 35%, um novo mandato de Lula. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, o medo da continuidade do petista chega a 47%, contra 40% que apontam a família Bolsonaro. Entre os que recebem mais de cinco salários, os índices são de 51% e 36%, respectivamente.

Evangélicos e católicos

Entre os evangélicos, 54% têm mais medo de outro governo Lula, contra 30% que receiam a volta dos Bolsonaro. Entre os católicos, a relação se inverte: 48% apontam a família do ex-presidente, e 39%, a continuidade do petista.

Também há diferenças no recorte por cor ou raça. Entre os entrevistados brancos, 49% temem mais a reeleição de Lula, ante 37% que apontam os Bolsonaro. Entre os pardos, há empate em 43%. Entre os pretos, 52% têm mais medo do retorno da família do ex-presidente, e 32%, de um novo mandato petista.

Os eleitores independentes estão divididos igualmente: 36% têm mais medo da reeleição de Lula e outros 36%, da volta dos Bolsonaro. Outros 15% temem os dois cenários, 9% não souberam responder e 4% não têm medo de nenhum.

Polarização na reta final

O equilíbrio entre os dois receios ocorre em uma disputa concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro. O petista lidera o primeiro turno com 36%, seguido pelo candidato do PL, com 31%. Na simulação de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, por 42% a 40%, mas os dois estão tecnicamente empatados.

O resultado sobre os medos do eleitorado não equivale diretamente à intenção de voto. O indicador mede qual dos dois desfechos provoca maior preocupação e ajuda a dimensionar o chamado voto negativo — quando a escolha é motivada mais pela tentativa de impedir a vitória de um adversário do que pela identificação com o candidato escolhido.

A pesquisa foi realizada em meio aos novos desdobramentos do caso Dark Horse e ao agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal. Documentos divulgados nos últimos dias mostram que Flávio é formalmente investigado pela negociação de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades.

O período também foi marcado pela intervenção de Edson Fachin na disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno das investigações do Banco Master. Na reta final antes do primeiro turno, as campanhas procuram associar o adversário aos casos em investigação, ao mesmo tempo que disputam temas como segurança pública, inflação e custo de vida.

A Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O GLOBO, ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.