Poder e Governo
PF aponta que Vorcaro se preparava para fugir antes de ser preso
Informações aparecem em relatório que foi tornado público na quinta-feira pelo ministro André Mendonça
A Polícia Federal (PF) apontou, em investigação sobre o Banco Master, que o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro se preparava para fugir dias antes de ser preso, em novembro de 2025. As informações constam de um relatório tornado público na quinta-feira pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo os investigadores, uma sequência de mensagens e registros no aparelho celular do banqueiro indica que ele tinha conhecimento antecipado sobre medidas judiciais que seriam tomadas contra ele, além de monitorar autoridades, acessar informações sigilosas relacionadas às investigações em curso e tentar obstruir a Justiça, influenciando agentes públicos. Esses elementos apontam que o banqueiro estava se preparando para fugas.
Vorcaro monitorava investigações contra ele e solicitava que o grupo “A Turma”, ligado a policiais, agisse contra adversários em determinadas situações.
“Como já citado, Daniel Bueno Vorcaro passou a mapear qualquer investigação que pudesse envolver as fraudes por ele perpetradas envolvendo o Banco Master e o BRB. No dia 24/07/2025, ele teve acesso a uma notícia de fato que constituiu o marco inicial da Operação Compliance Zero”, diz o relatório.
A PF aponta que Vorcaro também sabia o nome do juiz responsável pela vara onde tramitava o pedido de medidas cautelares na véspera de sua prisão. Na manhã do dia 16 de novembro, um dia antes de ser preso no Aeroporto de Guarulhos, em SP, prestes a embarcar para Dubai, o banqueiro registrou em seu bloco de notas e enviou uma mensagem a um interlocutor não identificado perguntando sobre a proximidade deste com o juiz da 10ª Vara Federal Criminal. O interlocutor, como revelado em outro relatório da PF divulgado por Mendonça, é o ministro Alexandre de Moraes.
Mensagens tornadas públicas na semana passada por ordem de Mendonça indicam que Vorcaro era orientado por Moraes durante o auge da crise no Master. Em uma delas, o banqueiro questiona o ministro do STF se deveria deixar o país. Essa mensagem foi enviada dois dias antes da prisão de Vorcaro.
Na data de sua prisão, a PF aponta que uma troca de mensagens entre Vorcaro e seu advogado Walfrido Warde mostra “possível tensão frente aos acontecimentos iminentes”, além de discutirem as rotas de deslocamentos do banqueiro, que estava previsto para decolar do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A PF destaca que “uma troca intensa de mensagens sobre deslocamento aéreo, mudança de ‘roteiro’, horários de voo e insistência por atualizações momentos antes da deflagração da operação indicam que DANIEL BUENO VORCARO preparava-se para fugir, já tendo plena ciência de que medidas seriam adotadas contra si. Esses elementos evidenciam monitoramento indevido de autoridades, obstrução à Justiça e risco concreto de evasão.”
“O comportamento, marcado por ligações sucessivas, mensagens insistentes e preocupação com horário de deslocamento, reforça o indicativo de que DV tinha consciência de que medidas relevantes seriam adotadas ainda naquele dia, compatível com o contexto de sua prisão poucas horas depois”, ressalta a PF.
Em outra troca de mensagens com Warde, naquele dia, Vorcaro expressa ao advogado sua preocupação, “evidenciando de maneira explícita o estado de apreensão que já vinha sendo demonstrado ao longo das horas anteriores por meio das tentativas de contato, ajustes de estratégia e preocupação com o deslocamento”, segundo a PF.
A Polícia Federal também demonstra uma troca de mensagens com o advogado em que Warde solicita calma ao banqueiro, afirmando que sua equipe estava trabalhando no caso.
“O advogado pede calma, afirmando que a equipe ainda estava trabalhando. Em seguida, Warde encaminha uma captura de tela do próprio celular, demonstrando que a petição havia sido protocolada, embora observasse que foi necessário improvisar, pois não possuíam o número do processo. Esse detalhe é especialmente relevante, pois confirma que DANIEL BUENO VORCARO e seu advogado sabiamente estavam cientes de que uma decisão judicial estava prestes a ser proferida, mas sem total visão do trâmite, o que reforça a percepção de urgência e ansiedade que permeou todo o período analisado”, diz a PF.
A PF aponta ainda a atuação do próprio Vorcaro junto à imprensa, buscando garantir a publicação de alguns assuntos de interesse do Banco Master. Os investigadores afirmam que os elementos extraídos do telefone do banqueiro reforçam a suspeita de que Vorcaro “exercia influência ou recebia informações privilegiadas provenientes de órgãos estatais”, além de ter uma “rede de influência em benefício próprio”.
“Tais circunstâncias também se harmonizam com a tese de que DANIEL BUENO VORCARO estaria se preparando para fugir antes de ser preso, uma vez que diversos comportamentos documentados evidenciam que ele tinha ciência de que medidas judiciais seriam adotadas contra si. A sucessão temporal entre suas anotações, a tentativa de mapear agentes públicos envolvidos na investigação e o interesse específico no magistrado que decretou sua prisão, além da ansiedade para obter respostas junto ao seu advogado, vão de encontro a um claro risco iminente à sua liberdade, compatível com a hipótese de planejamento de evasão”, finaliza o relatório.
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