Poder e Governo
Projeção de renda de 'Dark Horse' de até R$ 100 milhões faz PF levantar suspeitas sobre operação
Documento 'Plano de Negócios Capitão do Povo V5' previa investimento de US$ 24 milhões encontrado no celular de Daniel Vorcaro
Um relatório da Polícia Federal (PF), enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de julho, que apura os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção, entre outros, aponta que a projeção de bilheteria para o filme "Dark Horse", que conta a história de Jair Bolsonaro, é um dos indícios que levaram os policiais a investigarem a obra. Segundo um documento chamado "Plano de Negócios Capitão do Povo V5", apreendido no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, o cenário mais otimista dos produtores do filme é que a renda de exibição poderia chegar a US$ 100 milhões. Em outros cenários, mais conservador (US$ 70 milhões) e pessimista (US$ 45 milhões), as dimensões apresentadas ao banqueiro também chamam a atenção.
"O aparente descompasso entre o valor previsto para a produção de Dark Horse e os parâmetros usualmente praticados no mercado audiovisual brasileiro constitui circunstância objetiva que, embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada", diz o trecho do documento da Polícia Federal, obtido pelo GLOBO.
Na noite de quinta-feira (10), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de algumas investigações relacionadas ao Banco Master, após solicitação do presidente da corte, Edson Fachin, com exceção da apuração específica sobre o Dark Horse. O relatório citado nesta reportagem consta de outro inquérito, também sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No relatório, a PF pede que o senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL, e seu irmão Eduardo Bolsonaro sejam formalmente investigados. O meio de campo entre Flávio e Vorcaro, segundo os investigadores, foi feito pelo empresário Thiago Miranda e pelo deputado federal (PL-SP). Ao todo, Vorcaro desembolsou US$ 12,2 milhões para o filme, valores muito acima dos praticados no mercado cinematográfico.
Desde que as conversas entre o presidenciável e Daniel Vorcaro vieram a público, em maio, Flávio Bolsonaro primeiro falou que apresentaria uma auditoria sobre o filme, mas depois passou a evitar o assunto e a desconversar quando questionado sobre a engenharia financeira com o Master. Uma das provas citadas pela PF seria a conversa de Flávio com Vorcaro ocorrida um dia antes do banqueiro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes praticadas pelo Banco Master.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador ao dono do banco, em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro seria preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Procurado, Flávio Bolsonaro não comentou sobre o relatório.
Em 5 de agosto, a defesa de Flávio enviou uma petição ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, pedindo acesso integral aos autos.
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