Poder e Governo
Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões nas Bahamas em dois anos, aponta relatório do Coaf
Informações foram incorporadas ao inquérito sobre as fraudes bilionárias do Banco Master no final de junho, a pedido da Procuradoria-Geral da República
O banqueiro Daniel Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões, o equivalente a R$ 455 milhões, em transações financeiras nas Bahamas em dois anos, aponta um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As Bahamas são consideradas um paraíso fiscal por facilitar a abertura de empresas sem identificação do real beneficiário e ter regras menos rígidas para o combate à lavagem de dinheiro.
As movimentações ocorreram entre 11 de janeiro de 2024 e 29 de dezembro de 2025. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado e foi solto no fim daquele mês. Ele voltou a ser detido em março de 2026. As transações incluem valores recebidos e transferidos e, segundo o documento, estão relacionadas a viagens e contratação de artistas, entre outras despesas.
O Coaf é um órgão vinculado ao Banco Central e é responsável por informar órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal sobre transações consideradas suspeitas de acordo com a lei. Os avisos em si representam indícios e precisam ser investigados posteriormente para que fique configurado ou não algum crime.
As informações foram incorporadas ao inquérito sobre as fraudes bilionárias do Banco Master no final de junho, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O documento compila dados dos últimos dois anos encaminhados por autoridades estrangeiras com foco em Vorcaro e a Mosaic Financial, uma corretora de valores mobiliários registrada nas Bahamas que seria supostamente usada para repassar valores para offshores ligadas ao ex-banqueiro.
O relatório lista movimentações que foram marcadas como suspeitas por diferentes razões: possível corrupção; origem suspeita dos fundos; transações sem propósito econômico aparente; e operações envolvendo jurisdição estrangeira de alto risco.
US$ 41 milhões
As primeiras transferências bancárias suspeitas listadas no documento somam US$ 41.073.712,00 e ocorreram entre julho e dezembro de 2025. Segundo o relatório, as operações envolvem Vorcaro, a Mosaic Financial e a Signature Luxury Services.
O Coaf indica que os repasses eram referentes a pagamentos de hospedagem em viagens e à contratação de “artistas renomados da indústria do entretenimento”.
As movimentações foram consideradas suspeitas dada a possível origem dos fundos, "que poderiam ser provenientes de uma alegação de crime financeiro envolvendo Vorcaro".
US$ 48,6 milhões
Já um banco de Nova York relatou ter identificado transferências eletrônicas suspeitas de US$ 48,6 milhões envolvendo Vorcaro, entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. Segundo o relatório, o banqueiro fez 15 repasses totalizando US$ 22,6 milhões; e foi beneficiário de quatro transferências totalizando US$ 26 milhões, enviadas pela Royal Capital PSC, um fundo árabe.
O documento destaca que detalhes das transferências de "grandes quantias arredondadas". Segundo o Coaf, as operações foram sinalizadas como suspeitas por uma série de razões, inclusive pelo fato de o dono do Master ter sido preso logo após receber US$ 26 milhões enviados por uma empresa de serviços financeiros com sede nos Emirados Árabes Unidos.
Ainda de acordo com o relatório, muitas das transferências também foram enviadas durante o período em que Vorcaro já era investigado e assim o banco estrangeiro entendeu que havia possibilidade de que as movimentações de fundo ocorreram em uma tentativa de evitar a apreensão de bens pelas autoridades.
Além disso, o relatório apresenta valores que não passaram por contas de Vorcaro, mas estavam relacionados a serviços prestados a ele.
Outra leva de operações suspeitas listada pelo Coaf foram as transferências que a Signature Luxury Services LLC fez entre fevereiro e março de 2025, totalizando US$ 3,3 milhões por serviços de hospitalidade, equipe e concierge para o cliente Vorcaro.
A atividade foi considerada suspeita "porque grandes transferências de uma empresa de gestão de private equity com sede no Brasil foram recebidas, cujo propósito/relação final da atividade não pôde ser comprovado, e que posteriormente financiaram diversas transferências internacionais e nacionais para várias contrapartes, mencionando Vorcaro".
O Coaf também aponta transferências de US$ 10 milhões envolvendo a Mosaic e a Signature Luxury Services entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 relacionadas ao "cliente Vorcaro". Primeiro, a Mosaic fez o pagamento de US$ 2,1 milhões para o serviço de concierge de luxo. Depois, a Signature Luxury Services fez nove repasses, totalizando US$ 8,7 milhões referentes a eventos de hospitalidade, contratos de barcos/fretamento, logística, artistas e apresentações para Vorcaro.
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