Poder e Governo

Dino determina que Mário Frias não pode falar com outros investigados no caso Dark Horse nem deixar o país

Operação da PF apura desvio de emendas em financiamento de filme.

Agência O Globo - 10/09/2026
Dino determina que Mário Frias não pode falar com outros investigados no caso Dark Horse nem deixar o país
Flávio Dino - Foto: © Foto / Gustavo Moreno / STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os alvos da investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse não podem deixar o país nem se comunicar, para não atrapalhar as apurações. O ministro também ordenou o recolhimento dos passaportes.

A Polícia Federal (PF) realizou uma operação nesta quinta-feira para investigar o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira o suposto desvio de emendas parlamentares para a realização da obra, com agentes cumprindo 49 mandados de busca e apreensão, determinados por Dino.

Entre os alvos da operação, estão o deputado federal (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da produtora Go Up, responsável pelo filme. Frias destinou R$ 2 milhões em emendas em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, com valores pagos em fevereiro e outubro de 2025. A operação foi conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), com mandados cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Segundo a colunista Bela Megale, do GLOBO, um Porsche também foi apreendido.

Outros alvos da operação incluem Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina, e Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete de Mário Frias. Wemerson tinha uma empresa de consultoria que prestou serviços ao gabinete do deputado. Entidades relacionadas à Karina, como o ICB e a Go Up, estão entre os endereços onde ocorreram buscas.

A PF afirma que o inquérito revela a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de desviar verbas para empresas subcontratadas sem comprovação efetiva dos serviços prestados. O suposto esquema teria permanecido ativo até julho deste ano. A Polícia Federal investiga crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

A PF informou que levantamentos financeiros identificaram movimentações que somam centenas de milhões de reais entre as empresas envolvidas no esquema.

Entenda as investigações sobre Dark Horse

Existem duas apurações distintas no STF sobre o financiamento do filme. A operação de hoje está relacionada às emendas parlamentares e sob relatoria de Dino.

Este inquérito foi iniciado após parlamentares relatarem ao ministro que deputados aliados de Jair Bolsonaro destinaram R$ 2,6 milhões em emendas Pix em 2024 a uma ONG ligada à produtora do filme. Estão sendo investigados, entre outros, repasses indicados por Mário Frias, que nega qualquer irregularidade.

Dessa forma, a investigação busca apurar o possível desvio de recursos públicos para empresas envolvidas na produção do filme. Dino autorizou o acesso da PF a dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo, que já conduzia uma investigação sobre o tema.

Karina, um dos principais alvos da operação, não possui experiência em produção de longas-metragens, mas controla entidades que recebiam emendas para eventos e projetos de literatura evangélica.

O maior contrato público fechado por Karina foi com a prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, que, com aditivos, subiu para R$ 157 milhões. A contratação previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas carentes. A Polícia Civil desconfia de irregularidades e está apurando suspeitas de fraude na licitação.

Em junho, policiais civis já haviam cumprido mandados de busca em endereços relacionados à produtora, ao ICB e em casas atribuídas a Karina. O material coletado foi compartilhado com a Polícia Federal após decisão de Flávio Dino.

Outra investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, é um desdobramento do caso Master e se iniciou após revelações de cobranças de repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Mensagens indicaram que o presidenciável do PL solicitou R$ 130 milhões a Vorcaro para o filme, com R$ 61 milhões já pagos.

Foi, então, aberta uma investigação para verificar se o dinheiro do banco Master, envolvido em fraudes, foi repassado à produtora do filme, via um fundo nos Estados Unidos. O inquérito também investiga a relação entre o banqueiro e Flávio, além de suspeitas de que os recursos financiaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. O empresário confirmou transferências bancárias para o fundo Havengate, totalizando US$ 12,3 milhões a pedido de Vorcaro.