Poder e Governo
Lula participa do desfile do 7 de Setembro com Fachin, Motta e Alcolumbre; ala do STF mais próxima ao presidente falta
Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino não marcam presença
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa na manhã desta segunda-feira do desfile do 7 de Setembro, em Brasília. Estão presentes os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A soberania nacional é um dos motes do desfile.
O vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros do governo, como Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Wellington Lima e Silva (Justiça), José Múcio (Defesa), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social), também estão no evento.
Com o STF em crise, o grupo de ministros mais próximo a Lula não compareceu ao desfile. Como é praxe, todos os membros da Corte foram convidados. O ministro Alexandre de Moraes, que participou em 2024, vive um embate com o colega André Mendonça, e agora ficou fora.
Gilmar Mendes e Flávio Dino estão fora de Brasília e também não irão, assim como Cristiano Zanin. Os quatro compõem o grupo com maior interlocução com o presidente da República na Corte. No início do mês passado, antes de a crise eclodir, Lula se reuniu com Alcolumbre, de quem estava distante, na casa de Moraes. Zanin também participou.
No ano passado, nenhum ministro da Corte compareceu ao evento, que aconteceu durante o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista de 2023.
Já em 2024, Moraes, Dino, Gilmar e Zanin estiveram no desfile, acompanhados de Luís Roberto Barroso (então presidente da Corte e hoje aposentado), e dos ministros Dias Toffoli e Edson Fachin.
Como mostrou O GLOBO, Lula tenta se distanciar da crise no STF. Na quinta-feira, o presidente gravou um vídeo de pouco mais de um minuto em que não cita diretamente Moraes, mas diz que há suspeita de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso Master.
O desfile
No desfile oficial em Brasília, Lula não fez discurso. O governo dá destaque a temas que já aparecem na campanha, como a soberania nacional. A frase "soberania, a força que une o Brasil" foi o mote e foi exibida faixas no desfile e na decoração ao longo da Esplanada dos Ministérios. No início do desfile, parte de plateia se manifestou a favor do fim da escala 6x1.
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com esse regime de trabalho tem o apoio do governo, já passou pela Câmara e na semana passada foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O Planalto agora atua para que o texto seja analisado pelo plenário do Senado depois do primeiro turno da eleição, quando os parlamentares devem se reunir novamente para votações.
O assunto ganhou espaço na campanha petista em meio aos embates comerciais com os Estados Unidos e será reforçado de agora em diante. No pronunciamento pelo 7 de Setembro, na noite de domingo, Lula afirmou que o Brasil “é um país soberano” e que “não será colônia”. Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o petista fez críticas ao tarifaço imposto pelo governo americano.
— Defendemos o livre comércio. Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém — disse o presidente em cadeia nacional de rádio e televisão. Não somos, e não seremos colônia de ninguém — disse o presidente.
Outro foco do desfile, com duração de duas horas, é o público feminino, com mensagens de combate ao feminicídio, com o mote "Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres". Também há referências à Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil em 2027. Haverá uma ala específica sobre o torneio, além de atletas de outras modalidades e atletas militares. A vacinação também estará entre os temas explorados durante a cerimônia. A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanhou os preparativos para evitar ações da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando propaganda eleitoral.
Entenda a crise no STF
A crise foi alçada a um novo patamar após Moraes enviar a Fachin, na quinta-feira, relatórios de inteligência da PF que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça, como direcionamento de investigações por fins políticos e interferência em delações premiadas.
Ao demandar a PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados. O despacho, no entanto, não detalha que informações seriam essas. A medida foi adotada por Moraes após Mendonça tornar público o material sobre Vorcaro.
Diante do conflito, Fachin disse sexta-feira em evento no Palácio do Planalto que a resposta será “firme e rigorosa”, mas sem “precipitação”. Ele afirmou que a “gravidade” dos fatos não “autoriza atalhos”.
— As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito — afirmou o presidente do STF.
Fachin abriu prazo para que Moraes e Mendonça se manifestem. Também vão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens de Vorcaro.
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