Poder e Governo

7 de Setembro tem novo encontro de Lula e Alcolumbre

Desfile reuniu autoridades em Brasília, mas ala do STF mais próxima ao presidente não foi

Agência O Globo - 07/09/2026
7 de Setembro tem novo encontro de Lula e Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Presidência da República

Realizado em meio à crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) devido às revelações de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, o desfile de 7 de setembro nesta segunda-feira teve conversas discretas entre as lideranças políticas que acompanhavam o evento da tribuna presidencial.

Sob os holofotes durante as duas horas do ato, as autoridades presentes não deixaram transparecer desconforto ou mal-estar. Mesmo com a batalha de bastidores entre os órgãos que comandam, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, trocaram abraços calorosos ao se cumprimentarem. O chefe da PF fez questão de encontrar o colega logo após chegar à tribuna montada na Esplanada dos Ministérios.

Messias foi citado em relatório da Polícia Federal utilizado por Moraes para apontar supostas irregularidades cometidas pelo colega André Mendonça na condução das investigações sobre o caso Master e as fraudes no INSS.

Em nota, a AGU confirmou que decidiu não adotar as medidas solicitadas pela PF para contestar decisões de Mendonça. Segundo o órgão, a decisão "decorreu de análise estritamente técnica e jurídica", levando em consideração decisões de natureza procedimental tomadas por Mendonça.

Em conversas reservadas, Messias afirmou que Andrei atua junto com Moraes e o ministro Flávio Dino para enfraquecê-lo. O chefe da AGU teve seu nome rejeitado pelo Senado para uma vaga no STF em abril. Lula já declarou a intenção de indicá-lo novamente, mas um grupo de aliados tenta convencê-lo a seguir outro caminho.

No momento em que busca apoio do Congresso para aprovar projetos de interesse anterior ao segundo turno da eleição, como o fim da escala 6 x 1, Lula foi acompanhado no desfile pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre, e conversou com ambos antes do início da cerimônia.

Alcolumbre e Motta também mantiveram diálogos reservados antes da chegada de Lula, em meio a risadas. Antes mesmo do presidente desembarcar do Rolls Royce em frente à tribuna, Motta teve uma conversa mais séria com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

O desfile

Lula trouxe temas eleitorais para o desfile, como a defesa da soberania nacional e dos direitos das mulheres.

A apresentação durou duas horas e foi dividida em três eixos: “Soberania, a força que une o Brasil”, “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres” e a Copa do Mundo Feminina 2027. A vacinação também foi um dos temas abordados durante a cerimônia.

A soberania, um dos pilares da campanha petista, foi bastante ressaltada durante o desfile. Além do slogan principal, o tema foi repetido diversas vezes nas falas dos narradores. Esta temática ganhou destaque na campanha de Lula ao quarto mandato, especialmente em tempos de embates comerciais com os Estados Unidos, e será reforçada neste mês, quando Lula viajará a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.

A expectativa é que o presidente brasileiro encontre-se novamente com Donald Trump após uma nova rodada de sobretaxas impostas pelo governo americano a produtos do país. A Advocacia-Geral da União (AGU) acompanhou os preparativos do desfile para garantir que não houvesse pontos que configurassem propaganda eleitoral antecipada, evitando assim possíveis contestações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ainda durante a cerimônia, o perfil de Lula nas redes sociais publicou um material de campanha, com uma foto da bandeira do Brasil e a legenda: "A bandeira do povo brasileiro é a bandeira do Brasil". O objetivo é fazer um contraponto ao uso da bandeira dos Estados Unidos, que já apareceu em atos bolsonaristas.

Sem ministros do STF

O presidente do STF, Edson Fachin, foi o único integrante da Corte presente. Envolvido em um embate com André Mendonça, Alexandre de Moraes não compareceu. Gilmar Mendes e Flávio Dino estavam fora de Brasília e também não participaram, assim como Cristiano Zanin. Os quatro compõem o grupo mais próximo do presidente da República na Corte. No mês passado, antes do surgimento da crise, Lula se reuniu com Alcolumbre, a quem estava distante, na casa de Moraes, onde Zanin também esteve presente.

No ano anterior, nenhum ministro da Corte esteve presente no evento, que ocorreu durante o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista de 2023.

Em 2024, Moraes, Dino, Gilmar e Zanin estiveram no desfile, acompanhados de Luís Roberto Barroso (então presidente da Corte e hoje aposentado) e dos ministros Dias Toffoli e Edson Fachin.

Como mostrou O GLOBO, Lula tenta se distanciar da crise no STF. Na quinta-feira, o presidente gravou um vídeo de pouco mais de um minuto em que não cita diretamente Moraes, mas afirma que existem suspeitas de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso Master.