Poder e Governo

Relatório da PF sem valor probatório, usado por Moraes, diz que Mendonça pretendia afastar o chefe da corporação

Documento afirma que Mendonça não apresentou evidências de atuação irregular do diretor-geral

Agência O Globo - 04/09/2026
Relatório da PF sem valor probatório, usado por Moraes, diz que Mendonça pretendia afastar o chefe da corporação
- Foto: © Foto / Antonio Augusto / STF

Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF), classificado como sem valor probatório e sigiloso, foi mencionado na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento afirma que o ministro André Mendonça teria manifestado intenção de afastar do cargo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Moraes utiliza esse relatório para pedir que Mendonça seja investigado por supostos “indícios de crimes” na condução de inquéritos sob sua relatoria, incluindo o caso Master.

De acordo com o relatório, em reuniões, o relator teria afirmado repetidamente que o Diretor-Geral mantém proximidade inadequada com o Presidente da República e que, por essa razão, não seria possível confiar nele. Contudo, até o momento, não teria apresentado fato concreto que indicasse uma atuação irregular. Na última reunião presencial, Mendonça teria mencionado a existência de um procedimento instaurado para avaliar a eventual determinação de afastamento do Diretor-Geral.

O documento destaca ainda que o ministro não apresentou, até então, nenhum fato concreto que indicasse uma irregularidade por parte do diretor-geral.

A utilização desse relatório surge em meio à maior crise já registrada publicamente entre os integrantes do STF. O embate se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de outro relatório da PF, na última segunda-feira, que revelou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinadas a Moraes. O documento indicou que Vorcaro procurou o ministro antes de sua prisão, questionando se deveria deixar o país.

Em resposta, Moraes determinou que Andrei Rodrigues enviasse ao Supremo relatórios de inteligência da PF que mencionassem membros da Corte. Essas informações passaram a servir de base para a decisão em que o ministro aponta supostas irregularidades na atuação de Mendonça.

A PF, por sua vez, começou a questionar internamente decisões de Mendonça, considerando que elas interferiam na condução dos inquéritos. Em julho deste ano, a corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) em busca de medidas contra as determinações do ministro referentes à Operação Sem Desconto, que investiga o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.