Poder e Governo
Lula recebe Gilmar no Planalto para tratar sobre crise envolvendo Moraes e Mendonça no STF
Presidente demonstrou preocupação com danos à imagem institucional da Corte
O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) recebeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para uma conversa no Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira (1º) para tratar da crise institucional instalada após as revelações de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato frequente com o banqueiro Wellington Vorcaro, do Banco Master.
De acordo com relatos de interlocutores, o presidente demonstrou preocupação que essas revelações tragam danos à imagem institucional da Suprema Corte. O petista afirmaria que é preciso evitar desgastes ao tribunal. O encontro entre as duas autoridades não aparece na agenda oficial da Presidência divulgada diariamente. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada, mas não comentou. O ministro Gilmar Mendes não respondeu.
Mensagens tornadas públicas nesta terça-feira por ordem do ministro André Mendonça, no fim do ano passado, revelaram o diálogo. Em uma delas, Vorcaro perguntou a Moraes se tinha que deixar o país. O texto, em posse da Polícia Federal (PF), foi enviado em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez diante das suspeitas de fraudes. A ideia de Mendonça é levar o tema para ser discutido no plenário do Supremo.
As revelações viraram munição para a oposição atacar Moraes e o próprio presidente Lula. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, fez um duro discurso em plenário na terça, cobrando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), coloque para ser discutido um pedido de impeachment do ministro do STF.
A avaliação do entorno do petista é que, apesar de o governo não ter relação com as investigações nem com o Supremo, esses fatos poderão trazer desgastes à imagem do presidente, uma vez que ele é próximo de ministros do STF. O receio é que isso contamine o ambiente às vésperas das eleições, impulsionando um discurso mais extremista de candidatos. Aliados de Lula dizem ainda, sob reserva, ver com desconfiança esse movimento de Mendonça, falando em seletividade.
Governistas usarão a queda do sigilo para pressionar que o ministro do STF também retire o sigilo da investigação sobre o Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que teve recursos pagos por Vorcaro. Áudios revelados neste ano mostraram Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro para custear a produção.
Lula ainda se encontra em silêncio e não se posicionou publicamente sobre os fatos que foram revelados. Aliados defendem que o presidente trate do assunto. A expectativa é que ele adote a mesma linha das manifestações feitas em relação às suspeitas envolvendo seu filho mais velho, o empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, defendendo tanto as investigações quanto o direito do magistrado apresentar sua defesa.
As revelações dividem o STF em duas alas: uma mais alinhada a Moraes e outra a Mendonça. Um ministro menciona, sob reserva, que o clima hoje é “tenso”.
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