Poder e Governo

Câmara aprova indicação de Pacheco para o TCU

Ele ocupará a vaga deixada por Bruno Dantas; votação foi coordenada por Davi Alcolumbre.

Agência O Globo - 02/09/2026
Câmara aprova indicação de Pacheco para o TCU
TCU

A Câmara dos Deputados aprovou na manhã desta quarta-feira (2) o nome de Rodrigo Pacheco para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Os deputados respaldaram a escolha do ex-presidente do Senado sem resistências e em um processo acelerado, um dia após a articulação realizada pelo presidente do Senado.

A escolha de Pacheco foi fruto de uma articulação de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), seu aliado desde o início de sua trajetória política. A indicação acontece após Pacheco ter sido preterido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente do Senado assume o cargo no lugar do ministro Bruno Dantas.

Na noite de segunda-feira, Alcolumbre se mobilizou para viabilizar a votação nesta semana, que é a última antes das eleições. A votação não passou por uma sabatina. A indicação também foi respaldada pelo MDB, partido que havia indicado Dantas ao TCU em 2014. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) atuou como relator da indicação de Pacheco a pedido de Alcolumbre, enquanto na Câmara, o relator foi Adriano Avelar (PSDB-MG).

Para a aprovação, a Câmara exige maioria simples dos parlamentares presentes na sessão. Pacheco recebeu 404 votos favoráveis, 61 contrários e uma abstenção — a votação é secreta. Mais cedo, o ex-presidente do Senado se encontrou em um café da manhã com o presidente da Câmara, Arthur Lira (Republicanos-PB), e líderes partidários. Durante o encontro, Alcolumbre parabenizou a confiança dos deputados em Pacheco e fez um depoimento sobre suas qualidades.

Durante a sessão, Aécio Neves destacou que os serviços prestados por Pacheco vão "muito além" dos cargos que já ocupou e que ele defende firmemente a democracia. Ao final de sua fala, disse que "o Brasil conta com a vossa excelência". O líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), classifica a escolha como uma "brilhante indicação" e afirma que Pacheco "tem envergadura para ocupar qualquer cargo da República".

O líder do Republicanos, Augusto Coutinho (PE), afirmou que "ganha o Brasil e ganha o TCU" com a indicação de Pacheco, a quem se refere como "um político sério e de grande envergadura". Coutinho também ressaltou que o parlamentar trará equilíbrio em "um momento de grandes dificuldades institucionais".

A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) adotou um tom semelhante, mencionando que a indicação é "simbólica e importante". Ela elogiou Pacheco por ter "essencialmente a visão da estabilidade da democracia e dos direitos" e o qualificou como "um homem do diálogo e sensível às pautas sociais".

Após a aprovação, o presidente da Câmara parabenizou Pacheco, assegurando que não há dúvidas sobre a preparação técnica e política do parlamentar para representar o Congresso no TCU.

Motta já havia indicado a interlocutores que a votação transcorreria sem problemas na Câmara. Ele tem atuado em estreita colaboração com Alcolumbre em questões do Congresso e expressou gratidão pelo empenho de Alcolumbre em também aprovar a indicação de Odair Cunha, parlamentar petista que assumirá uma vaga ao TCU neste ano. A nomeação de Cunha foi resultado de um acordo entre Motta e o PT para assegurar o apoio do partido de Lula à sua eleição como presidente da Câmara, servindo como um teste de força para Motta em um momento em que sua autoridade estava questionada por deputados.

O TCU é um órgão técnico responsável por fiscalizar a aplicação do dinheiro público federal. Suas atribuições incluem auditar e julgar as contas de gestores, além de examinar licitações e obras públicas. O salário de um ministro gira em torno de R$ 44 mil e a vaga é vitalícia, com aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, destaca-se por transitar entre diversas bancadas e mantém boas relações de diálogo com os parlamentares, tanto da oposição quanto do governo. Ele tem 49 anos e foi eleito deputado federal em 2014 e, posteriormente, em 2018, para o Senado. Em 2017, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais relevante da Câmara. Foi duas vezes presidente do Senado, recebendo apoio que vai da direita à esquerda. Nos bastidores, parlamentares já davam como certa sua indicação após a negativa ao Supremo e depois dele ter declarado que não concorreria a nenhum cargo eletivo nas eleições deste ano. O presidente Lula tentou convencê-lo por meses a disputar o Governo de Minas Gerais, mas as negociações não se concretizaram.